Vice-reitora eleita Graciela Inês Bolzon de Muniz teve um mandado de condução coercitiva expedido pela PF. | Antônio More/Gazeta do Povo
Vice-reitora eleita Graciela Inês Bolzon de Muniz teve um mandado de condução coercitiva expedido pela PF.| Foto: Antônio More/Gazeta do Povo

A vice-reitora eleita da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Graciela Inês Bolzon de Muniz, é uma das investigadas pela Operação Research, da Polícia Federal (PF), que prendeu 27 pessoas na manhã desta quarta-feira (15) por suspeita de desvio de R$ 7,3 milhões de bolsas de estudo e de pesquisa da instituição.

Um dos 73 mandados judiciais expedidos pela Justiça Federal é de condução coercitiva – quando a pessoa é obrigada a depor para a polícia – é de Graciela, vice do reitor Ricardo Marcelo Fonseca, e que chegou a assinar documentos, em substituição ao pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UFPR no período investigado pela PF, entre os anos de 2013 e 2016.

À época, ela exercia a função de coordenadora de pesquisa e desenvolvimento da Ciência e da Tecnologia. Ela assinou 215 processos no lugar do Pró-Reitor de Pesquisa e Pró-Graduação da (PRPPG/UFPR), Edilson Sérgio Silveira. O titular da função, por sua vez, assinou “apenas” 19 desses processos, segundo da investigação da PF.

Apesar de Fonseca ter assumido a reitoria em dezembro, Graciela ainda não tomou posse porque o mandato de vice tem calendário diferente. Além de Graciela, tiveram mandado de condução expedidos outros cinco servidores da UFPR. Todos eles, segundo a PF, teriam participado de processos burocráticos que permitiram a liberação dos pagamentos das bolsas suspeitas.

A professora Graciela ainda não tem advogado constituído. Ela confirmou que prestou depoimento à Polícia Federal nesta quarta, mas não quis se pronunciar. Indagada por telefone se sabia das irregularidades cometidas no âmbito da universidade, ela disse que não poderia falar porque tinha acabado de sair da sede da PF.

“Registro, entretanto, que se trata de servidores públicos em relação aos quais, até o momento, os elementos que os ligam aos fatos estão relacionados unicamente à não observância dos deveres básicos de cuidado e diligência que eram esperados de quem, na estrutura da UFPR, detinha a prerrogativa de checar a regularidade dos procedimentos que redundavam nos pagamentos das bolsas e, ao final, apor a sua assinatura para viabilizá-los. É importante consignar que, por enquanto, não existem indícios de adesão dolosa e direta dessas oito pessoas no esquema criminoso de desvio de verbas levado a cabo materialmente por duas servidoras da Instituição de Ensino”, diz o texto da decisão judicial que autorizou também as conduções coercitivas.

Akel Sobrinho

O ex-reitor Zaki Akel Sobrinho também foi citado no processo - as irregularidades aconteceram durante a sua gestão. Segundo o despacho judicial, Akel teria “responsabilidade na fiscalização da concessão de bolsas”. O ex-reitor presta depoimento à PF na tarde desta quarta. Ele disse lamentar que o nome da instituição foi associado “a páginas policiais”, a partir da deflagração da Operação Research, mas garantiu estar “tranquilo” com a investigação.

Em entrevista à Gazeta do Povo antes da operação policial - o jornal vinha acompanhando as irregularidades desde dezembro -, o reitor Ricardo Marcelo Fonseca fez questão de enfatizar que as irregularidades foram denunciadas pela própria gestão de Akel Sobrinho, ainda em dezembro, quando a UFPR abriu sindicância interna para averiguar as supostas irregularidades.

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