Se acompanhar pela imprensa a realidade de terror nos presídios brasileiros já provoca sensações de medo e insegurança, vivenciar de perto essa rotina deixa ainda mais calejadas as pessoas que moram próximas de unidades prisionais. As reações são diversas só não é possível ignorar a presença dos vizinhos.
Para Edenilson Haas, 28 anos, proprietário de uma loja de materiais de construção bem em frente ao presídio Hildebrando de Souza, em Ponta Grossa, morar perto de um presídio traz transtornos e benefícios, tanto quanto viver ao lado de uma escola ou um ponto de ônibus. O principal ponto positivo, para ele, é a segurança. Constantemente cercado por policiais, o presídio próximo evita até aglomeração na rua, conta, acrescentando que nunca foi assaltado e não tem problemas nem com pichações.
Haas reconhece que seria melhor estar perto de um hospital ou da rodoviária, mas não se considera na condição de reclamar. A família foi morar no local há 19 anos e ele alega que há bairros sem delegacias ou penitenciárias e que são muito mais perigosos. "Quando os presos fogem, querem manter o máximo de distância daqui", pondera.
Rosália Gaioski, 84 anos, discorda. Ela acompanhou bem de perto todas as fugas nos 20 anos do presídio. A última foi há dois meses e deixou a família muito apreensiva. O concreto novo no muro mostra o lugar do buraco feito pelo fugitivo, que saiu no terreno de Rosália. O mesmo muro estampa as três marcas de tiros que atravessaram os tijolos. "É uma tristeza cuidar das crianças com um vizinho como esse", reclama. O filho Alfredo reclama do descaso com a segurança dos vizinhos. Ele acredita que o muro deveria ser reforçado e não feito apenas de tijolos finos. "Economizam na obra e gastam para recapturar os bandidos", lamenta. (KB)






