Autor da denúncia ao Ministério Público Federal de Pernambuco (MPF-PE), o pesquisador Plínio Santos Filho diz ter dados que comprovam que o surto de casos de microcefalia no nordeste não necessariamente foram causados pelo zika vírus. Santos Filho, que é físico especialista em ressonância magnética e atua como pesquisador independente, resolveu analisar os dados divulgados semanalmente pelo Ministério da Saúde em Pernambuco e afirmou que os dados de bebês nascidos com microcefalia não eram condizentes com uma epidemia.

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“Em uma epidemia, há um pico no número de casos e depois eles desaparecem”, explicou. De acordo com o físico, o número de casos caiu, mas continuou constante no estado - cerca de 15 casos são registrados por dia. Após analisar os dados, Santos Filho diz ter comparado o pico dos nascimentos com a epidemia de dengue em Pernambuco e afirmou que as datas não coincidem.

A sua teoria é de que a vacina tríplice viral - contra sarampo, rubéola e caxumba - que foi aplicada durante um surto de sarampo no nordeste seja a principal causadora da microcefalia no estado, já que a vacinação é realizada em mulheres em idade fértil, entre 12 e 29 anos. Para o físico, as mães dos bebês com má-formação engravidaram meses depois de receber a vacina. Além disso, de acordo com o pesquisador, uma outra vacina, a DTPA, seria a razão para que o número de casos continuasse constante. O pesquisador ainda afirmou que os dados apresentados pelo Ministério da Saúde mostram que a presença do zika vírus nos bebês com má-formação seria muito pequena. “A zika pode até causar microcefalia, mas não é a causa principal da epidemia”, afirmou.

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O pesquisador confirmou que solicitou explicações ao Ministério da Saúde, bem como a carteira de vacinação das mães de bebês com microcefalia para comprovar ou não sua teoria. “Posso estar errado, mas em nenhum momento mostraram dados provando que essa possibilidade não existe”, disse.

O Ministério da Saúde nega que a vacina contra a Rubéola possa causar a microcefalia e afirmou que a vacina é produzida com vírus vivos e atenuados, que não são capazes de provocar as três doenças - diferente do que diz o pesquisador. O órgão ainda reiterou que a vacina contra o sarampo e a rubéola é segura e que sua aplicação evita que a mãe pegue a doença durante a gravidez.