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Falta de recursos

320 prefeituras fecham as portas

Adesão no Paraná superou expectativa. AMP entrega hoje lista de reivindicações para Dilma Rousseff

Cartaz informando que os serviços na prefeitura de Engenheiro Beltrão não iriam funcionar | Dirceu Portugal/Gazeta do Povo
Cartaz informando que os serviços na prefeitura de Engenheiro Beltrão não iriam funcionar (Foto: Dirceu Portugal/Gazeta do Povo)

Quem precisou dos serviços de 320 prefeituras do Paraná – 80% do total – encontrou as portas fechadas ontem. A paralisação foi motivada pela redução do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que representou uma queda de R$ 35 milhões na arrecadação das prefeituras paranaenses desde o início deste ano. Hoje, a Associação dos Municípios do Paraná (AMP) entrega uma lista de reivindicações à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que estará em Foz do Iguaçu, Oeste do estado.

Embora a queda na arrecadação atinja todas as prefeituras brasileiras, o Paraná é o primeiro estado a protestar. A parada de um dia foi decidida em assembleia da AMP no último dia 18. No próximo dia 2 será a vez das prefeituras de Alagoas. Os prefeitos de Goiás também estão planejando uma paralisação.

A carta dos prefeitos paranaenses seria entregue ontem à ministra Dilma, mas sua visita ao Paraná foi adiada para hoje. Ela participa do seminário "Crise – Desafios e Soluções na América Latina", promovido pelo governo estadual. O documento contém as principais queixas das prefeituras. Ele pede a suspensão da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e Imposto de Renda, que juntos somam 23,5% do FPM. Se a redução, que foi imposta pelo governo federal para amenizar os efeitos da crise econômica mundial, não for possível, os prefeitos pedem a manutenção do repasse do ano passado. Os prefeitos pedem ainda mais recursos federais na saúde, revisão das dívidas previdenciárias e uma ampla reforma tributária com a rediscussão da partilha federal entre os municípios.

O prefeito de Piraquara e secretário-geral da AMP, Gabriel Samaha, lembra que 90% das prefeituras paranaenses têm no FPM sua principal fonte de arrecadação. A queda nacional, que em janeiro foi de 3%, foi para 12,5% na primeira parcela deste mês. A previsão, segundo a Confederação Nacional dos Municípios (CNM), é que a redução atinja 14% na segunda parcela de março. Em média no Paraná, de acordo com Samaha, a diminuição foi de 20% no primeiro trimestre. "É um impacto gigantesco na receita dos municípios. A ordem não é nem mais cortar, porque não há mais o que cortar, temos que reunir forças para cobrar uma posição do governo federal", analisa o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski.

Freio

As prefeituras estão com o pé no freio. O prefeito de Engenheiro Beltrão, Elias Lima (PR), pretende reduzir em 10% os salários de 20 funcionários comissionados. A redução do salário prevista para o próximo mês deve gerar uma economia de cerca de R$ 5 mil aos cofres municipais. "Essa economia será utilizada no pagamento de fornecedores e na compra de pneus para caminhões da coleta de lixo", diz Lima. Uma operação tapa-buracos também foi adiada. "Com a redução do FPM, o município deixou de receber do governo federal cerca de R$ 500 mil. Esse montante poderia custear todo o setor de educação por um mês", lembra Lima.

O prefeito de Munhoz de Mello, no Norte, Gilmar José Benkendorf (PMDB), disse que a redução no FPM pode obrigar a prefeitura a fazer cortes inclusive em áreas importantes como educação e saúde. O prefeito de Mandaguari, no Noroeste do estado, Cylleneo Pessoa Júnior, adiou os pagamentos dos tributos, tarifas e preços públicos vencíveis e vencidos.

Transporte escolar

A paralisação da prefeitura ontem em Manoel Ribas, região central do estado, deixou alunos da zona rural sem aula. A filha da trabalhadora rural, Maria de Lurdes, teve de faltar à aula por falta de transporte. Aline, de 12 anos, não tinha outro meio de transporte para chegar à Escola Estadual Nereu Ramos. "A briga entre os governos só prejudica os mais necessitados. Sem o ônibus minha filha não tem como ir para aula", disse Maria.

A maioria das prefeituras em "greve" manteve apenas os serviços essenciais, como escolas, hospitais, postos de saúde e coleta de lixo. Hoje, todos os atendimentos voltam ao normal.

Colaboraram: Marcos Paulo de Maria, Jornal de Maringá Online, e Dirceu Portugal, correspondente em Campo Mourão.

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