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Linha 499

Agressor do ônibus no Rio diz que não houve seqüestro

Agressor da ex-mulher Cristina Ribeiro e acusado de seqüestrar o ônibus 499 na sexta-feira (10), o camelô André Luiz Ribeiro fez, na manhã desta segunda-feira (13), exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, no Rio. Ao voltar do exame, ele chegou à delegacia de cabeça baixa e disse que não queria fazer o que fez e que "não teve seqüestro nenhum, as pessoas é que não quiseram descer do ônibus ". E acrescentou: "Eu fiz por amor".

Já Cristina passou cinco horas depondo na 52ª DP (Nova Iguaçu). Ela chegou às 9h50 e, muito nervosa e marcada pelas agressões que sofreu, pediu paciência aos policiais. Com uma pequena fratura no maxilar, a vítima tem dificuldades para falar. Debilitada, a auxiliar de radioterapia saiu carregada da delegacia. Do local, ela seguiu para fazer exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal de Nova Iguaçu.

"Falei muito e estou muito cansada. Não agüento mais, estou toda doída", disse Cristina, que contou ainda que os filhos estão muito abalados com o que aconteceu.

Anos de agressão

Segundo o delegado Paulo Roberto da Silva, Cristina relatou os 10 anos de relacionamento com André, suas suspeitas de infidelidade e suas agressões. "Este depoimento é esclarecedor para avaliar a personalidade dele. Não foi um ato isolado. É um sujeito que usa da violência com frequência", disse Paulo.

Cristina afirmou que as agressões começaram há 7 anos, depois do nascimento do segundo filho do casal. Apesar disso, ela disse acreditar no arrependimento de André Luiz. Perguntada sobre o que falaria com o ex-marido, ela respondeu: "Deus ama ele".

O delegado Paulo Roberto pretende indiciar André por seqüestro porque, na opinião dele, os passageiros não estiveram livres para descer do ônibus quando quisessem.

"Minha avaliação é de que houve seqüestro. Se ele liberava as vítimas paulatinamente, ele detinha o controle da ação", afirmou. O delegado disse ainda que André não aparentava estar drogado nem ter indício de insanidade mental quando chegou à delegacia na sexta-feira (10). Segundo ele, 40 pessoas já prestaram depoimento e a expectativa é de que o inquérito seja encerrado no próximo dia 19.

Insanidade mental

Na delegacia, o advogado de defesa, Flávio Fernandes, contou que André ainda está muito abalado, diz-se arrependido e segue repetindo que ama os filhos e a esposa. "Vamos esperar a denúncia do Ministério Público, mas estudamos a possibilidade de trabalhar com a hipótese de insanidade mental. André estava e ainda está psicologicamente muito abalado", disse o advogado do agressor.

A Defesa quer exame de sanidade mental para André

A chegada à delegacia

Além do depoimento ao delegado da 52ª DP, Cristina foi ouvida pela Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) de Nova Iguaçu e por dois promotores de Justiça. Acompanhada de parentes, ela chegou à delegacia aparentando fraqueza e muita dificuldade para andar. "Vim para estimular outras mulheres vítimas de agressão a denunciar também".

Exemplo para outras mulheres

Segundo Regina, irmã da vítima, Cristina teve febre durante a madrugada, ainda sente muitas dores pelo corpo, está tomando remédios e tem vomitado freqüentemente.

Na parte da manhã, Cristina recebeu a visita da Coordenadoria de Política para Mulheres de Nova Iguaçu, que ofereceu atendimento jurídico, psicológico e social.

Segundo a delegada Lauren Farias, da Deam-Nova Iguaçu, André era muito possessivo e proibia a ex-mulher de falar com estranhos, inclusive os vizinhos. Para ela, que já havia registrado duas queixas de Cristina contra o ex-marido, não houve falha na apuração das denúncias anteriores.

"Em menos de 30 dias os processos já estavam no Poder Judiciário, mas temos que obedecer os prazos legais", explicou a delegada.

As duas denúncias eram por cárcere privado, feita por Cristina no início de agosto, quando o marido a manteve por quatro dias presa em um motel. A segunda, por ameaça, já que André exigia que a ex-mulher retirasse a primeira queixa.

Primas e cunhadas

Na porta da delegacia, as primas Rosimary Maria da Silva Costa, 44 anos, recepcionista e irmã de André Luís, e Regina Ribeiro, irmã de Cristina, se encontraram. Rosimary foi à delegacia nesta manhã para visitar o irmão. Bastante emocionada, Rosimary abraçou Regina, que teve uma crise de choro. Rosimary pediu desculpas e, soluçando, dizia que o irmão não é uma pessoa ruim.

Segundo Regina, um dos motivos das brigas constantes do casal é o fato de André nunca ter aceitado Leonardo, de 5 anos, como seu filho. Regina disse, ainda, que já viu o agressor chamando o menino de bastardo algumas vezes.

Relembre o caso

Na sexta-feira (10), na Rodovia Presidente Dutra, que liga Rio e São Paulo, o camelô André Luís Ribeiro da Silva, de 35 anos, invadiu um ônibus da linha 499 com uma arma apontada para a cabeça da ex-mulher, Cristina Ribeiro, em Nova Iguaçu. Durante mais de dez horas, ele ameaçou matá-la e depois se suicidar. O Batalhão de Choque da PM cercou o coletivo e esperou a rendição de André, que libertou sua ex-mulher Cristina, mantida sob a mira de revólver todo o tempo.

O seqüestro terminou sem nenhum ferido. O comandante geral da Polícia Militar, coronel Hudson Aguiar, disse que "foi um desfecho feliz em que vida foram preservadas". Dezenove pessoas foram libertadas na parte da manhã; outras 11 por volta das 16 horas, cinco ficaram retidas até o fim, além de André e da ex-mulher. Segundo o coronel, o seqüestrador entregou a arma, um revólver calibre 38, a policiais pela janela. Só então o Batalhão de Operações Especiais (Bope), que ganhou notoriedade no polêmico caso do ônibus 174, entrou em ação.

Cristina foi levada para o Hospital da Posse e André para a 58ª DP (Posse).

O governador eleito do Rio, Sérgio Cabral Filho, comentou o caso.

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