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Alberto Youssef, de sacoleiro a “doleiro bomba”

Pivô da operação Lava Jato, da Polícia Federal, londrinense enviava produtos do Paraguai pelos Correios e chegou a ajudar o Londrina Esporte Clube

  • Fábio Silveira, do Jornal de Londrina
Alberto Youssef, principal nome da operação Lava Jato: do Paraguai ao mercado de dólares |
Alberto Youssef, principal nome da operação Lava Jato: do Paraguai ao mercado de dólares
 
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Tão difícil quanto entender o salto do Alberto Youssef sacoleiro, que buscava produtos encomendados no Paraguai, para o Alberto Youssef doleiro, suspeito de operar grandes esquemas de lavagem de dinheiro no Brasil, é encontrar alguém que fale abertamente sobre o londrinense, atualmente preso depois de a Polícia Federal (PF) desmantelar um esquema que teria desviado até R$ 10 bilhões.

No jargão jornalístico, “falar em on” é quando a fonte da informação não pede para que a própria identidade seja ocultada na reportagem. E poucos são os que aceitam “falar em on”. “Estou surpreso [com o pedido de entrevista]. Não tenho nenhuma ligação com ele, a não ser que o conheço, como todo mundo o conhece”, disse à reportagem um homem citado por outras fontes como conhecedor da trajetória de Youssef.

A fama de sacoleiro, que precede à atuação no mercado de dólares, foi objeto de uma ação na Justiça Federal. Youssef não era um sacoleiro comum, desses que vão ao Paraguai comprar mercadorias para revender em camelódromos. De acordo com o advogado João dos Santos Gomes Filho, que prestou serviços a ele de 1994 a 2003, o londrinense foi condenado em primeiro grau por descaminho, mas a sentença foi reformada pelo Tribunal Regional Federal (TRF) em Porto Alegre. A acusação era de que Youssef comprava produtos encomendados em Ciudad del Este e os enviava pelos Correios aos clientes. “Foi uma acusação que rebati e que acabou não se provando. Ele sempre negou isso”, contou o advogado.

Tubarão

Segundo Gomes Filho, é daí que vem a fama de que o londrinense começou a vida como sacoleiro – “o que não é verdade”, garantiu. Na face legal, Youssef era conhecido por ter uma casa de câmbio na Rua Pará, no centro de Londrina, nos anos 1990. Foi nesta mesma década que ele, que torcia para o São Paulo, ajudou em alguns momentos a diretoria do Londrina Esporte Clube (LEC). O ex-vereador e presidente do Tubarão em 1998, Célio Guergoletto, lembrou que as atividades ilegais pelas quais o doleiro é acusado hoje não eram conhecidas naquela época.

Conforme Guergoletto, Youssef ajudou na gestão do clube em duas oportunidades. Uma foi na contratação do volante Sidiclei, trazido do União Bandeirante.

Youssef ajudava o LEC assim como outros empre­­sários da cidade, disse Guergoletto. Ao contrário dos demais, que desembolsavam algo em torno de R$ 5 mil para o clube, porém, o londrinense não botava a mão no bolso. O ex-presidente contou que, da segunda vez, a ajuda dele foi financeira e aconteceu quando empresários se juntaram para comprar o passe de um jogador. “Na época, dez pessoas se cotizaram com R$ 6 mil cada um e o Youssef entrou no rateio.” Conforme Gomes Filho, que além de ex-advogado se considera amigo de Youssef, o doleiro é um homem de “hábitos simples”. “Fazíamos churrasco juntos nos aniversários dos nossos filhos.”

Delação premiada já foi desrespeitada

Preso em março pela Polícia Federal (PF) na Operação Lava Jato, Alberto Youssef voltou a fazer acordo de delação premiada para denunciar políticos que teriam recebido dinheiro lavado por ele. É o segundo acordo que ele fez nesse sentido.

O primeiro foi em 2003, referente ao caso de lavagem de dinheiro no Banco Banestado, o banco do governo paranaense, privatizado durante o governo de Jaime Lerner (1995-2002).

Como descumpriu o primeiro acordo, um processo daquela época foi reaberto e Youssef foi condenado. “90% do que envolve o nome dele é lenda”, defendeu João dos Santos Gomes Filho, ex-advogado do doleiro, que deixou a defesa dele por não concordar com a delação premiada de 2003.

No atual acordo, Youssef prometeu entregar os nomes de diversos políticos. Por enquanto, só se conhecem os nomes por causa de vazamentos, já que parte dos processos e dos inquéritos é mantida em sigilo.

Um dos nomes é o da senadora Gleisi Hoffmann (PT). O doleiro disse ter dado R$ 1 milhão para a campanha dela ao Senado, em 2010. A petista nega.

O empresário Leonardo Meirelles, considerado laranja de Youssef, disse em depoimento à Justiça Federal que o londrinense teria dado também dinheiro a um parlamentar tucano “conterrâneo ou da região” dele. O advogado que defende o réu, Antônio Figueiredo Basto, negou e pediu acareação entre seu cliente e Meirelles.

Youssef virou peça-chave na reta final do segundo turno da eleição presidencial, depois que a revista Veja publicou reportagem controversa atribuindo a um depoimento dele a declaração de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a atual presidente, Dilma Rousseff (PT), sabiam de todo o escândalo envolvendo a Petrobras.

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