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Anexo onde ficam os gabinetes parlamentares não tinha passado por uma ampla reforma | Fotos: Ivonaldo Alexandre/ Gazeta do Povo
Anexo onde ficam os gabinetes parlamentares não tinha passado por uma ampla reforma| Foto: Fotos: Ivonaldo Alexandre/ Gazeta do Povo
  • O presidente da Casa, Valdir Rossoni, entregou ontem a terceira leva de gabinetes reformados

Uma espécie de reforma agrária comandada por um tucano e um democrata. A medida inimaginável na cena política brasileira está ocorrendo no Paraná – mesmo a contragosto de alguns –, mais precisamente na Assembleia Legislativa. Ontem, o presidente da Casa, Valdir Rossoni, e o primeiro-secretário, Plauto Miró (DEM), entregaram a terceira leva de gabinetes reformados a nove deputados. Mais do que a reforma dos espaços, a mudança busca tornar iguais os gabinetes dos 54 parlamentares. Nos quatro andares restantes, porém, ainda há "latifundiários" resistentes em ceder terreno aos colegas.

Historicamente, no início de cada nova legislatura, os deputados há mais tempo na Casa permanecem no gabinete em que estão. Via de regra, esses espaços são bastante amplos, graças à conquista de território empreendida ao longo de anos. Aos novatos, resta disputar entre si os demais gabinetes, geralmente menores e mais apertados que os latifúndios. Prova disso foi o desentendimento público, há cerca de um mês, para decidir quem ia herdar o gabinete do hoje conselheiro Fabio Camargo. A definição entre os tucanos Mara Lima e Evandor Jr. teve de ser feita por sorteio, no qual a parlamentar levou a melhor.

Disputa eterna

Inaugurado em maio de 1986, o anexo onde ficam os gabinetes parlamentares não tinha passado por uma ampla reforma. O prédio tinha problemas elétricos, hidráulicos, de goteiras e infiltrações. Diante disso, a atual Mesa Executiva decidiu reformar o espaço e, de quebra, tentar resolver o histórico problema do tamanho dos gabinetes.

Até agora, cinco dos nove andares já foram reformados, com mudanças que incluíram pintura, troca de piso e de móveis, instalações novas de energia e ar condicionado. O problema é que a obra nos andares só começa quando todos os parlamentares entram em consenso. Alguns latifundiários, porém, resistem em perder espaço, mas ninguém assume publicamente.

Alheios a isso, quem comemora são os ex-pequenos proprietários, cujos gabinetes aumentaram. Dono de um dos menores espaços da Assembleia, Pastor Edson Praczyk (PRB) ganhou um ambiente reformulado em junho do ano passado. Segundo ele, antes era preciso atender pessoas em pé, placas ficavam caindo do forro. O mesmo ocorreu com o gabinete do petista Tadeu Veneri. "Chovia dentro, não conseguíamos receber adequadamente as pessoas."

Segundo Rossoni, a expectativa é concluir a mudança em todos os andares até o final deste ano. Até agora, a mudança nos três prédios da Casa – administração, plenário e gabinetes – consumiu R$ 1,1 milhão, sem contar a compra de itens como móveis e equipamentos de informática.

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