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Aliança entre Janene e Youssef se manteve até a morte do ex-deputado

Doleiro passou a frequentar a casa da família a partir de 2004 e não parou mais de fazer “negócios” com o ex-parlamentar

  • londrina
  • Katna Baran e Amanda Audi Enviadas especiais
Doleiro assinou atestado de óbito de Janene para liberação do corpo no hospital. | Aniele Nascimento/Gazeta do Povo
Doleiro assinou atestado de óbito de Janene para liberação do corpo no hospital. Aniele Nascimento/Gazeta do Povo
 
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Não é possível dizer com precisão como e quando o doleiro Alberto Youssef e o deputado José Janene iniciaram a aliança que se manteve até a morte do parlamentar. Mas, como conta Stael Fernanda, ex-mulher de Janene, o doleiro passou a frequentar a casa da família a partir de 2004, quando chegou a ser convidado para ser padrinho do filho mais novo do político. “Final de semana, almoço de família e aniversário de criança, ele [Youssef] sempre estava lá em casa. O homem de confiança do Zé [Janene] era o Youssef. A única pessoa que tinha acesso a ele era o Youssef. Para mim, era uma relação de amizade. Claro que devia ter um negócio. Mas eu não sabia a intensidade desses negócios”, conta Stael.

O cheque de R$ 150 mil nominal para Janene encontrado na casa do doleiro, em 2003, quando Youssef foi preso por envolvimento no caso Banestado, dá uma pista que, já nessa época, os negócios entre eles eram intensos. “Não sei como ele [Janene] conheceu o Youssef. Mas eles já se conheciam lá em 1996”, revela um ex-funcionário do político. O novo “casamento” deu tão certo que o doleiro administrava o patrimônio do deputado. Segundo investigações da Operação Lava Jato, Youssef também herdou a responsabilidade sobre os repasses ilícitos da Petrobras para o PP, partido de Janene.

A morte

Mesmo depois da aposentadoria como deputado, Janene continuou fazendo “negócios” com o doleiro em São Paulo, diz Stael . As viagens só cessaram com o surgimento de novas denúncias contra o político, em 2009. Logo depois, em fevereiro de 2010, a situação de saúde de Janene se agravou em razão de um AVC.

Foi Youssef quem assinou o atestado de óbito do político para liberar o corpo do Hospital Incor, em São Paulo, em 14 de setembro de 2010. “Antes de ele [Janene] morrer, ele me chamou. Estava doido para ir embora. O homem era um touro, valente, e estava ali, amarrado, chorando, colocando algodão molhado na boca. Eu falei: ‘Deputado, a Igreja, os pastores, mesmo com os problemas, oram por você’. Aí ele falou: ‘Manda reforçar, que o negócio aqui tá feio’”, conta uma pessoa próxima ao político do PP.

Janene aguardava havia três meses na fila por um transplante de coração, que não ocorreu. A morte, segundo Stael, foi acompanhada apenas pelas duas filhas do primeiro casamento do político, dois assessores de confiança e Youssef. “Quando o Zé morreu, ele [Youssef] me encontrou e falou que tinha R$ 3 milhões para repassar para os meus filhos conforme a vontade do compadre dele. Depois, eu fiquei sabendo que ele emprestou o dinheiro para os políticos. Aí, eu reclamei esse dinheiro. Mas nunca veio”, conta Stael, que tem três filhos com Janene e se separou dele em 2008. “Eu acho que o Beto [Alberto Youssef] ficou com todo o dinheiro do Zé”, diz uma pessoa ligada ao dois.

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