Decisão do presidente da Câmara de incluir projetos polêmicos nas votações tem irritado o governo| Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom

Popstar das galerias da Câ­­mara, o presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), não tem a mesma popularidade no Palácio do Planalto. Sua atuação tem irritado o governo e líderes aliados ao incluir na pauta matérias sem acordo prévio e com impacto estimado em mais de R$ 60 bilhões. Parlamentares veem em suas atitudes a tentativa de garantir a continuidade no comando da Casa em 2015 patrocinando pautas insufladas por parlamentares representantes de corporações e do baixo clero, ávidos pela visibilidade de temas polêmicos.

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Alves deve assumir hoje a Presidência da República de­­vido à viagem de Dilma Rous­­seff ao Peru. O vice-presidente, Michel Temer, passou a semana na China e estará nos Emirados Árabes. A posse ocorre na semana em que o governo é obrigado a lidar com um tema polêmico por insistência de Alves. O presidente da Câmara marcou para amanhã a votação do projeto que estipula um piso nacional para os agentes comunitários de saúde. A proposta pode gerar um custo extra de R$ 2,4 bilhões. O governo federal tenta repassar a conta integralmente aos municípios, mas ainda não conseguiu apoio suficiente na base aliada para garantir essa intenção. Parlamentares ligados à causa esperam ao menos 2 mil agentes de saúde em Brasília para acompanhar a sessão.

Na semana passada, o governo escalou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para tentar convencer os líderes partidários a barrar a votação de propostas que teriam alto custo fiscal, como a fixação do piso de policiais militares e bombeiros (PEC 300), a ampliação do Fundo de Participação dos Municípios, o reajuste para o Judiciário e o fim da contribuição previdenciária de inativos. "Se der mais dois anos para o Henrique, ele consegue quebrar o Brasil", ironiza um governista.

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Além do Executivo, líderes partidários também reclamam. Dizem-se surpreendidos por anúncios de Alves por redes sociais ou entrevistas de que determinado tema será analisado.

Alves diz que as críticas são "injustas" e que conduz a Casa de forma "serena, altiva e responsável". Observa que, em dois temas vistos como importantes na sua gestão – a votação de vetos presidenciais e o pagamento obrigatório de emendas parlamentares, o chamado orçamento impositivo –, as propostas somente seguiram adiante após a construção de acordo com o governo. "Nunca ouvi nenhuma palavra da presidente Dilma contrária a essa postura que cumpre a Constituição: independência e harmonia entre os poderes."