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Congresso

Após convite sem resposta, Senado convoca ministros para falarem

A comissão também não vai votar nenhuma indicação de embaixadores em retaliação à negativa dos ministros até que ambos falem no Senado

Em uma rebelião contra ministros do governo federal, a Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado transformou nesta quinta-feira (13) em convocação o convite aprovado em maio deste ano para os ministros Antônio Patriota (Relações Exteriores) e Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) falarem aos senadores sobre a Aliança do Pacífico e o Mercosul.

A comissão também não vai votar nenhuma indicação de embaixadores em retaliação à negativa dos ministros até que ambos falem no Senado. A única exceção será a análise do nome do embaixador Denis Fonseca Pinto, para o Vaticano, com o objetivo de evitar incidentes diplomáticos com o país italiano às vésperas da visita do Papa Francisco ao Brasil.

A rebelião ocorreu porque Patriota e Pimentel não responderam a comissão sobre o convite -nem deram ciência sobre o seu recebimento. Os integrantes da CRE consideraram a postura um "descaso" e decidiram reagir para obrigar os ministros, especialmente Patriota, a responderem oficialmente aos senadores.

A "rebelião" teve o aval do presidente da comissão, senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), e de integrantes da base de apoio da presidente Dilma Rousseff no Congresso."É mais que descortesia, é desprezo. Por isso a reação dos senadores. A paciência e a tolerância estão se esgotando", afirmou Ferraço.

De autoria do senador Pedro Simon (PMDB-RS), o convite aos ministros foi aprovado no dia 21 de maio, mas nenhuma resposta foi encaminhada à comissão até o dia de hoje. Com a convocação, Pimentel e Patriota terão o prazo de 30 dias para comparecerem de forma obrigatória à CRE. O convite não obriga as autoridades a comparecerem. "Esta comissão tem por hábito convidar, como um gesto de civilidade. Mas vamos transformá-lo em convocação porque o convite foi sequer respondido", afirmou o presidente da comissão.

Simon comandou a rebelião, irritado com a postura dos ministros. Como a CRE é integrada por diversos senadores do grupo dos chamados "independentes, incluindo o próprio Ferraço, a convocação acabou aprovada sem dificuldades. Estavam presentes na comissão os senadores Cristovam Buarque (PDT-DF), Roberto Requião (PMDB-PR), Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), Jarbas Vasconcellos (PMDB-PE), Eduardo Suplicy (PT-SP), entre outros.

Aliado do governo, Suplicy disse que não vai "criar objeção" à convocação dos ministros porque considera "uma responsabilidade importante" das autoridades do Executivo prestarem esclarecimentos no Senado.

Líder do PT no Senado, Wellington Dias (PI) foi pego de surpresa ao ser questionado sobre a rebelião na comissão, mas minimizou as convocações. "As comissões são autônomas e esse tipo de convocação é uma exceção porque a praxe é das autoridades sempre atenderem aos convites", afirmou.

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