O juiz Sergio Moro informou ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região, nesta terça-feira (7), que há risco de fuga do país de Márcio Faria, ex-executivo da Odebrecht, preso pela Operação Lava Jato na Polícia Federal de Curitiba. Segundo ele, Faria enviou ao exterior R$ 11,4 milhões no segundo semestre do ano passado, depois que foram iniciadas as investigações. De acordo com Moro, foram quatro remessas a partir de agosto: R$ 7,347 milhões no dia 13; R$ 2,944 milhões no dia 14, R$ 547,1 mil no dia 25 e uma de R$ 600,6 mil em 15 de setembro. Na avaliação do juiz, Márcio Faria, que possui nacionalidade brasileira e suíça, poderia se juntar ao operador Bernardo Freiburghaus, apontado como operador da empresa e que se valeu da nacionalidade suíça para sair do Brasil antes que o Ministério Público Federal reunisse provas suficientes contra ele.

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Moro lembrou a fuga de Henrique Pizzolatto, foragido do mensalão, que segue na Itália, e afirmou que a Suíça não extradita seus nacionais. Disse ainda que o fato de Faria ter entregado o passaporte não elimina riscos de fuga devido à “porosidade das fronteiras brasileiras”, como ocorreu com Pizzolatto.

O juiz afirmou que o fato de Faria ter pedido demissão da Odebrecht depois de preso não altera qualquer fato, pois é mero estratagema para revogar a prisão preventiva. O MPF alega que se solto, ele continuaria a cometer os mesmos delitos e, em tese, a saída da empresa eliminaria esse argumento.

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Moro reafirmou que o MPF apresentou documentos que comprovam pagamentos da Odebrecht a Paulo Roberto Costa, Pedro barusco, Renato Duque e Alberto Youssef. Também foram apresentados por Rafael Ângulo, funcionário de Youssef, comprovantes de transferência nos quais, no cabeçalho, consta o nome Braskem – uma das empresas do Grupo Odebrecht, do setor petroquímico, que tem entre seus sócios a própria Petrobras.

O juiz disse que os documentos apresentados pelos procuradores, que mostram 135 ligações telefônicas entre Rogério Araújo e Bernardo Freiburghaus, corroboram as informações dos delatores da Lava Jato, que apontaram Araújo como um dos operadores do cartel de empreiteiras. Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras e um dos delatores, afirmou em depoimento que a Odebrecht fez pagamento de propinas em seu benefício no exterior. Disse que foi Araújo quem recomendou o uso de Freiburghaus, que abria e monitorava contas e investimentos no exterior.

Sobre os telefonemas, a Construtora Norberto Odebrecht encaminhou nota informando que desconhece completamente os fatos e o teor dos supostos telefonemas apontados e mais uma vez questionou o vazamento seletivo de informações, “vício que compromete o exercício do direito de defesa”.

Prisão

Moro também enviou ao desembargador federal convocado Nivaldo Brunoni, do TRF da 4ª Região, despachos com os motivos que o levaram a manter a prisão de João Antônio Bernardi Filho, que seria dono da offshore Hayley, e os executivos da Odebrecht Cesar Rocha e Rogério Araújo.

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Segundo Moro, Bernardi Filho tentou “dificultar as investigações e frustrar o sequestro e confisco de seu patrimônio”, pois esvaziou os ativos da Hayley S/A e os transferiu para outra offshore que mantém fora do país em seu nome, Worly International.

Bernardi Filho é acusado de pagar cerca de US$ 1 milhão em propinas ao ex-diretor da Petrobras Renato Duque em 2011, além de comprar uma obra de arte de Duque por R$ 500 mil. A defesa do empresário diz que não houve fraude. Como se não bastasse, também apontado que o paciente, como efetivo gestor da Hayley S/A, esvaziou os ativos dela mantidos em contas no exterior ou em investimentos, transferindo-os para outra off-shore.

Ao falar sobre Cesar Rocha e Rogério Araújo, Moro escreveu que “desde a decretação da prisão preventiva tem surgido provas novas”. O juiz federal citou representação feita na segunda-feira pelo Ministério Público Federal que cruza informações de telefonemas feitos entre Rogério e Bernardo Freigburhauss e depósitos feitos por Bernardo para o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.