Richa: audiência pública em excesso paralisa. A falta delas, porém, é pior...| Foto: Gilberto Abelha/ Jornal de Londrina

Londrina- O governador Beto Richa (PSDB) classificou como "totalmente desnecessária" a realização de audiências públicas antes da aprovação da terceirização de serviços do Estado para Organizações Sociais (OSs). O projeto, enviado pelo governo, foi aprovado às pressas na Assembleia Legislativa neste mês. Entre o envio da mensagem e a aprovação da lei houve apenas 14 dias e quase nenhum debate. O caso levou a uma invasão do plenário na segunda-feira por parte de sindicalistas e estudantes.

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"Se para todas as ações de governo eu tiver que fazer audiência pública aí o governo fica imobilizado. Não vejo necessidade", afirmou o governador ontem, em Londrina, no Norte do estado. Segundo Richa, o repasse de funções para Organizações Sociais (um tipo de organização não governamental) é positivo. "Tem exemplo no Brasil todo de o quanto as OSs são importantes para a gestão pública", disse.

O governador não reconheceu a invasão à Assembleia como um movimento popular. Richa considerou o movimento como ação de seus adversários políticos: "Foi uma reação do PT para me desgastar politicamente. Nada além disso. O que houve foi radicalismo, falta de respeito, um atentado à democracia. Faltam argumentos para convencer a opinião pública e os deputados. E tiveram que partir para a truculência", afirmou.

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Richa rejeitou ainda a afirmação de que o projeto visa à privatização. "Dizer que queremos privatizar é desrespeitar a inteligência das pessoas. Tenho coragem suficiente para tomar medidas impopulares e que dão margem a esse tipo de comportamento dos meus adversários políticos", disse.

Três casos

O governador voltou a afirmar que as OSs serão utilizadas "apenas pontualmente" em três casos: na gestão do Hospital de Reabilitação de Curitiba, do Museu Oscar Niemeyer e da Orquestra Sinfônica do Paraná. "Conheçam hoje como está o hospital de reabilitação e como ficará depois de uma OS com gestão especializada", desafiou. Richa usou como exemplo a gestão do Hospital Sara Kubitschek, em Brasília, "um modelo para o país e que atrai pessoas de toda a América Latina para tratamento".

A posição do presidente do Tribunal de Contas do Paraná, Fernando Guimarães, que também defendeu a realização de mais debates com a sociedade antes da aprovação da proposta, também foi criticada por Richa. "É uma opinião pessoal do conselheiro que inclusive considero extemporânea".