Paulo Vanucchi, ex-ministro dos Direitos Humanos, defende que Câmara reveja a eleição de Marco Feliciano para presidir comissão| Foto: Válter Campanato/ABr

Reação

Deputado promete processar Xuxa por críticas contra ele

O pastor e deputado Marco Feliciano (PSC-SP) afirmou na noite de domingo em seu perfil no Twitter que vai processar a apresentadora Xuxa Meneghel. Ela usou o Facebook para se manifestar contra a eleição de Feliciano para a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. "E sobre o que disse Xuxa, minha assessoria jurídica prepara o processo", afirmou Feliciano no microblog.

Na sexta-feira, a apresentadora disse no Facebook: "Esse homem não é um religioso, é um monstro. Em nome de Deus, ele não pode ter esse poder".

Também na noite de domingo, Feliciano acionou a Polícia Militar para conseguir sair da Igreja Assembleia de Deus – Catedral do Avivamento, em Franca (SP). Mais de 200 pessoas, com cartazes, faixas e gritos de ordem, protestaram na porta do templo. Os manifestantes garantem que o protesto foi pacífico. Já Feliciano alegou em nota que a ação foi feita por "ativistas gays" que teriam tentado invadir o templo.

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Feliciano chamou a polícia para evitar manifestantes
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Uma semana após a escolha do pastor Marco Feliciano (PSC-SP) para presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, integrantes da bancada do PSC vão se reunir para discutirem o impacto da indicação. A reunião foi convocada pelo líder da bancada na Câmara, André Moura (SE), e deve ocorrer hoje.

Por meio de nota, o líder do partido lamentou as reações ocorridas contra o pastor nas redes sociais e em manifestos realizados em várias cidades nmo fim de semana. "Sinto que é preciso dialogar. Temos plena confiança que o deputado Feliciano desempenhará o cargo com eficiência e respeito a todas as correntes de opinião. Contudo, a Câmara dos Deputados e o PSC precisam estar em sintonia com o sentimento da sociedade brasileira", disse Moura.

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A possibilidade de Feli­­ciano deixar a presidência da comissão, no entanto, não é cogitada por todos do partido. Por meio da assessoria, o vice- presidente nacional do PSC, Everaldo Pereira, disse que o partido manterá Feliciano no comando do colegiado e que o assunto está encerrado.

Contra-ataque

Para hoje também está prevista uma reunião entre deputados contrários à indicação de Feliciano. No encontro, os parlamentares estudam fazer um requerimento questionando o processo de escolha do deputado, ocorrido na última quinta-feira, e pedindo que seja feita uma nova votação.

Seguindo essa linha, o ex- ministro da Secretaria dos Direitos Humanos do governo Luiz Inácio Lula da Silva, Paulo Vannuchi, afirmou ontem que considera um "erro lamentável" a condução do deputado à presidência da comissão e defendeu a saída de Feliciano do cargo. "As coisas são reversíveis. É preciso dialogar com o presidente da Câmara, para sensibilizar que é ruim esse ambiente", afirmou.Vannuchi defendeu uma "renegociação dos titulares de comissão" na Câmara. Para ele, Feliciano tem um "passivo de declarações problemáticas".

Processo

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O deputado é réu no STF em um processo em que é acusado de homofobia por um texto divulgado em seu Twitter. "A podridão dos sentimentos dos homoafetivos levam ao ódio, ao crime, à rejeição", escreveu o parlamentar. Quanto a essa questão, o pastor tem respondido que foi mal interpretado. "Não sou homofóbico, estou sendo mal interpretado. Peço apenas que me deem uma chance. Não fiz mal algum a ninguém e, se alguém acha que fiz, que me perdoem pelo mal entendido."