São Paulo (Folhapress) O verbo repudiar aparece duas vezes na nota divulgada no início da noite de ontem pelo Banco do Brasil contra a conclusão de que dinheiro público alimentara o caixa 2 do PT, anunciada na véspera pelo relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR).
Desde o governo Fernando Henrique Cardoso, a DNA recebe pagamentos antecipados por serviços publicitários, e desvios, se houve, não chegam a R$ 10 milhões, afirma o BB.
A nota do BB faz parte da forte reação deflagrada ontem pelo governo contra os resultados antecipados das investigações do Congresso. Serraglio concluiu que pelo menos R$ 10 milhões da cota do Banco do Brasil no Fundo de Incentivo Visanet haviam financiado o "mensalão".
"O Banco do Brasil repudia a tese, baseada unicamente em ilações, de que, premeditadamente, transferiu recursos do Fundo para a agência DNA e que esses recursos, por uma operação de transferência bancária, teriam sido transferidos para outro banco e daí beneficiado quem quer que seja", afirma a nota, que lista supostos equívocos nas investigações da CPI.
Minutos depois da divulgação da nota, o relator da CPI dos Correios insistiu em que mantém a conclusão de que dinheiro público desviado da cota do Banco do Brasil no Fundo Visanet ajudou a financiar o mensalão. "Essa conversa é inútil, vou manter a conclusão porque ela está documentada", afirmou Serraglio.
Ele insiste em que parte do dinheiro pago pelo Banco do Brasil à DNA foi transferido para o BMG.
O valor da transferência foi de R$ 10 milhões, o mesmo valor do empréstimo concedido quatro dias depois à empresa de Rogério Tolentino, advogado sócio de Valério.
O empréstimo, jamais pago, é apontado pelo publicitário mineiro que teria operado o suposto mensalão como uma das fontes de financiamento do caixa 2 do PT.