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Tranqüilidade. Esta é a palavra que define a situação em sete das oito cadeias que viveram momentos de terror durante rebeliões nos últimos dias no Paraná. Feita a contabilidade dos danos causados pelos detentos, o momento é de reparar os estragos. No interior do estado, Campo Mourão, no Noroeste paranaense, sofreu com um tumulto na manhã desta quarta-feira (17). Nas demais penitenciárias, a situação está controlada, com algumas transferências de presos previstas para os próximos dias.

A única exceção deve ser feita a Ponta Grossa, região dos Campos Gerais. Pela manhã, uma rebelião teve início na Cadeia Pública Hildebrando de Souza. O motim foi controlado por volta de 9h, depois de quase quatro horas de tensão. Cerca de 250 presos se rebelaram após uma tentativa frustrada de fuga. A cadeia tem capacidade para 112 presos, mas no momento comportava 260.

São José dos Pinhais

No dia seguinte à rebelião de cinco horas no Centro de Detenção Provisória (CDP) em São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba, os trabalhos ficaram restritos ao interior do presídio. Segundo o diretor da unidade, José Guilherme Assis, os danos foram poucos. "Apenas algumas celas e portas de galerias foram danificadas. O nosso trabalho daqui pra frente, além de consertar o que foi estragado, será de investigar quem causou a rebelião e puni-los, como manda a lei", comenta Assis. Durante toda a quarta-feira, os presos foram remanejados dentro do Centro, e as transferências serão feitas de acordo com a necessidade e com a disponibilidade do sistema prisional do estado.

Na terça-feira, um grupo de 31 presos da cadeia manteve durante cinco horas o agente penitenciário Rafael Leal como refém. O movimento começou por volta das 11h da manhã, quando a polícia conseguiu conter o movimento em apenas duas das três alas rebeladas. O centro, que possui 24 blocos, só voltou ao controle dos policiais por volta das 16h. Na ação, foram usadas balas de borracha e bombas de efeito moral. Alguns dos detentos ficaram levemente feridos. O refém foi libertado.

Muito trabalho

No Oeste do estado, as quatro cadeias que passaram por rebeliões no fim de semana passam pela mesma situação. Em Foz do Iguaçu, os trabalhos para consertar as 23 portas de celas que foram arrancadas durante o motim continuam. Os estragos nas redes hidráulica e elétrica, além dos danos nas câmeras de segurança, já estão sendo reparados. Durante o incidente, mais da metade dos presos fizeram seis reféns, entre eles um carcereiro. Na tarde de terça-feira, o delegado-adjunto Francisco José Batista da Costa afirmou que a reforma na cadeia pública Laudemir Neves pode custar perto de R$ 50 mil aos cofres públicos. Algumas celas serão refeitas e as grades trocadas. Outras necessidades do presídio serão avaliadas.

Já em Cascavel, o quadro não é muito diferente. Segundo o delegado-chefe da 15.ª Subdivisão Policial (SDP), Amadeo Trevisan, a quarta-feira foi tranqüila. O orçamento dos danos, que se resumem a quatro grades de celas arrancadas, já foi enviado para a Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesa) e as obras devem começar nos próximos dias. Ainda de acordo com o delegado, cerca de 40 presos devem ser removidos para a Penitenciária Industrial de Cascavel. A transferência já estava prevista antes da rebelião ocorrer. Na terça-feira, o delegado chefe da Divisão Policial do Interior, Luiz Alberto Cartaxo Moura, afirmou que a cadeia da cidade será reformulada a "dinâmica de circulação dos presos", para promover melhor segurança.

Toledo

Nas outras duas cidades da região Oeste do Paraná que sofreram com a ação dos presos, os danos foram pequenos. Em Toledo, os cabos de aço das portas do 20.ª SDP, cortados pelos detentos durante a rebelião, já foram reparados nesta quarta-feira. As grades que foram derrubadas e danificadas pelos detentos estão sendo consertadas e retiradas do local. O clima ameno também foi registrado na Cadeia Pública de Assis Chateaubriand. "Todo o incidente do fim de semana não passou de uma baderna. Eles danificaram a rede elétrica e hidráulica, além de terem arrancado algumas grades. O orçamento já foi enviado para Curitiba e os reparos devem começar logo", assegura o delegado da unidade, Walter Diniz Paes.

Noroeste do Paraná

Em Campo Mourão, o período de tranqüilidade só foi interrompido por volta das 11h desta quarta-feira, quando a transferência de dez detentos para Maringá gerou um início de tumulto, que logo foi controlado pela Polícia Militar. Um preso se recusava a sair e foi necessário o uso da força. Durante a tarde desta quarta, os trabalhos se concentraram em consertar as paredes, os cadeados, as cinco câmeras do circuito interno de segurança, os holofotes e as portas, pisos e colchões danificados pelos detentos. Na rebelião violenta propriamente dita de segunda-feira, dois dos cinco reféns ficando feridos.

Sem confusões foi o dia em Umuarama. A cadeia foi a menos danificada durante as rebeliões do estado, mesmo com o motim que começou por volta de 23h de domingo e foi controlado logo em seguida. "Aqui está tudo sob controle. Já estamos providenciando, dentro do possível, algumas das reivindicações dos detentos, que pedem cobertores e algumas outras coisas", conta o delegado Antônio Ângelo Colombo.

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