Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Ceará

Caso da cueca fica sem punição

A Assembléia Legislativa do Ceará recusou nesta terça-feira o pedido de cassação do deputado José Nobre Guimarães (PT), irmão do ex-presidente do partido José Genoino, cujo assessor foi preso com US$ 100 mil na cueca. Foram 23 votos contra a cassação de Guimarães, 16 a favor, seis nulos e um voto em branco.

Guimarães era acusado de quebra de decoro parlamentar por ter recebido R$ 250 mil das contas do publicitário Marcos Valério. Ele confessou que recebeu o dinheiro do então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, para pagar dívidas da campanha do candidato José Airton Cirilo, derrotado pelo governador Lúcio Alcântara (PSDB) em 2002.

José Guimarães conseguiu salvar o mandato numa sessão que durou mais de onze horas.A votação foi na última sessão deste ano. O primeiro escândalo envolvendo foi em julho.

Adalberto Vieira, assessor do parlamentar, foi preso no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com R$ 200 mil na bagagem e 100 mil dólares na cueca.

Um pedido de cassação por esse motivo foi arquivado, mas Guimarães voltou a ser acusado depois que o nome dele apareceu na lista de beneficiários do esquema do empresário mineiro Marcos Valério. Ele teria recebido R$ 250 mil para pagar contas da campanha para o governo do Ceará em 2002.

Guimarães confessou ter usado o dinheiro, mas disse que não sabia da origem dos recursos. Segundo ele, a negociação foi feita com o então tesoureiro do PT, Delúbio Soares.

A defesa do deputado José Guimarães se baseou na afirmação de que o dinheiro veio da executiva nacional do PT. Mas o partido nega essa transferência. Para o PSDB, autor do pedido de cassação, isso demonstra culpa. Para o PT do Ceará, é prova de inocência.

Nelson Martins, deputado do PT afirma que na época, fim de 2002 e início de 2003, esse esquema não era conhecido nem do deputado Guimarães e nem do Partido dos Trabalhadores.

Para o deputado tucano Moésio Loyola, a origem do dinheiro é a grande discussão.

- Transformar dinheiro público em dinheiro de campanha é muito grave - disse Loyola.

O deputado Guimarães disse que foi apenas interlocutor de um pedido de ajuda financeira.

A votação foi secreta e, mesmo depois de onze horas de sessão, os deputados trocaram a agilidade o painel eletrônico pela segurança da cédula de papel. Por 23 votos a 16, o relatório que pedia a cassação foi rejeitado. Guimarães comemorou com militantes do PT que lotaram as galerias.

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.