Cavendish: dispensado em 12 minutos | Geraldo Magela / Ag. Senado
Cavendish: dispensado em 12 minutos| Foto: Geraldo Magela / Ag. Senado

O dono da empreiteira Delta, Fernando Cavendish, ficou apenas 12 minutos na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga as relações entre a empresa e o esquema montado pelo bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Como já era esperado, o empresário usou seu direito constitucional de permanecer calado e logo foi dispensado. Antes, contudo, teve de ouvir um resumo dos motivos que o levaram à comissão – como a transferência de recursos para uma série de empresas fantasmas, parte delas controlada por Cachoeira.

Além disso, o presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), perguntou a ele quais senadores foram comprados, ou seriam comprados, com R$ 6 milhões, conforme Cavendish afirmou a ex-sócios numa conversa gravada clandestinamente.

Sobre esse ponto, Cavendish disse que irá falar no "momento oportuno" no processo judicial em trâmite no Rio de Janeiro, que trata das acusações feitas pelos ex-sócios.

Dersa

Outro que compareceu ontem à CPI foi o ex-diretor do Departamento de Obras Rodoviárias de São Paulo (Dersa) Paulo Vieira de Souza, também conhecido como Paulo Preto. Ao contrário de Cavendish, porém, Paulo Preto falou à comissão. No entanto, não fez qualquer revelação; apenas saiu em sua própria defesa. O ex-diretor da Dersa disse não haver irregularidades nas obras viárias comandadas pelo órgão durante sua gestão e também afirmou ser falsa a acusação de que teria desviado R$ 4 milhões da campanha eleitoral tucana de 2010.

Formalmente, o ex-diretor foi convocado à CPI para explicar suspeitas de superfaturamento na obra de ampliação da marginal Tietê, parte dela sob responsabilidade da Delta.

Ameaças

Por fim, depôs o contador Gilmar Carvalho Morais, acusado de abrir empresas fantasmas que movimentaram o dinheiro desviado. O contador afirmou ter sido usado por Valdeir Fernandes Cardoso, mas alega não saber de outros nomes do esquema. Morais teria dívidas com Valdeir, que por sua vez exigiu a abertura de empresas para pagá-las. "Eu não tinha outra saída", disse o contador, que disse ter sofrido ameaças para manter o esquema.

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