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Celso Nascimento

Divagações sobre o futuro das eleições no Paraná

Apesar das evidências de que o potencial eleitoral de Orlando Pessuti tende a crescer daqui em diante, é bem possível que a eleição de outubro para o governo do estado seja decidida em favor do tucano Beto Richa já no primeiro turno, caso o senador Osmar Dias (PDT) desista de competir e o eleitorado tenha de decidir entre apenas aqueles dois nomes. O desempenho do ex-prefeito autoriza os analistas a imaginar que ele teria mais do que os 50% necessários para ser eleito já no primeiro turno.

As últimas sondagens registradas no TRE mostravam Richa na faixa dos 40%, pouco à frente de Osmar. Muito atrás, ainda na casa de apenas um dígito, aparecia o nome de Orlando Pessuti. Entretanto, não se pode desconhecer que a atuação do governador nesse primeiro mês de mandato já foi suficiente para mostrar que seu nome precisa ser melhor considerado.

Imagina-se que, em breve, principalmente se conseguir logo acordo com as concessionárias para baixar o preço do pedágio, possa alcançar até meados de junho índices que viabilizem a aprovação de seu nome na convenção do PMDB. Talvez até consiga afastar os temores de deputados de seu partido – que não veem em Pessuti um bom "puxador" de votos – preocupados com a própria reeleição e com a redução da bancada.

Mesmo assim, se Beto Richa tiver de enfrentar apenas Pessuti, poderá desfraldar antecipadamente as bandeiras da vitória. Mas e se Osmar Dias "ao fim e ao cabo" (como diria Requião) confirmar que é candidato, principalmente se conseguir por de pé outra vez a aliança com o PT?

Nesse caso, com três candidatos fortes – Beto, Osmar e Pessuti – o mais provável é que a eleição seja levada para o segundo turno. No primeiro, Beto chegaria na frente dos dois, mas no segundo teria de medir forças com a provável união deles.

Digamos, por hipótese, que seja Osmar Dias o segundo lugar no primeiro turno e que Pessuti encerre sua participação com imagináveis 20% dos votos válidos. Se prevalecerem a lógica, a coerência e um mínimo de bons costumes, o mais previsível é que Orlando Pessuti transfira para Osmar a sua votação, lançando na incerteza o resultado final, mas melhorando consideravelmente as chances de vitória do candidato do PDT.

Mais do que isso: também o PT – de quem Osmar desconfia possa fazer corpo mole na campanha de primeiro turno se não tiver Gleisi Hoffmann como sua vice – terá de empenhar toda a sua força no segundo turno em favor dele. Pois do desempenho do senador dependerá também o desempenho eleitoral no Paraná de Dilma Rousseff no confronto com o tucano José Serra, se houver, como se supõe, segundo turno para a Presidência.

Em sendo assim, por que Osmar Dias não aposta suas fichas na própria candidatura, independentemente do cumprimento das exigências que faz ao PT?

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