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Mais duas grandes empresas estrangeiras anunciaram ontem que deixarão de importar soja e milho pelo Porto de Paranaguá, como faziam há anos. São a Soya-Mills, da Grécia, e a Shemen, de Israel. O motivo é simples: desde o último dia 3, o navio Kiran Atlantic está na fila de espera para carregar os produtos comprados pelas duas importadoras, mas a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) só vai liberar um berço de atracação no próximo dia 30. Ou seja, o navio vai ficar ao largo durante quase um mês!

Navio parado custa quase tanto quanto navegando de um porto a outro para entregar sua carga – pode chegar a 90 mil dólares de multa ("demurrage") por dia, dependendo do tamanho do barco. No caso do Kiran, a multa é de US$ 40 mil por dia, a ser paga pelos importadores.

Portanto, a Soya-Milss e a Shemen terão de pagar perto de US$ 1,2 milhão. Inconformadas com a ineficiência das operações no Porto de Paranaguá, as duas importadoras decidiram tomar a mesma medida adotada por várias outras companhias congêneres – só vão fazer negócios para embarques no Porto de Santos ou nos de Santa Catarina.

O mais estranho, diz o corretor que representa a Soya-Mills e a Shemen, é que, no mesmo período em que o Kiran Atlantic espera parado, outros cargueiros conseguem "facilidades" para furar a fila. Citam o caso de um navio de milho, com destino ao Nordeste, que passou à frente de outros que estavam em espera há mais de 15 dias.

Fatos assim dão margem a elucubrações com as quais a coluna não concorda: se a diária de um navio parado é de US$ 90 mil, será que um agrado de "meia diária" não seria argumento convincente para conseguir furar a fila?

O Ministério Público bem que poderia investigar essa possibilidade, por mais absurda que pareça.

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Recordar é preciso

Em 14 de março de 2006, militantes da Via Campesina invadiram a fazenta experimental da multinacional Syngenta, no Oeste paranaense. Nessa mesma data, realizava-se em Curitiba a 3.ª Reunião das Partes do Protocolo de Cartagena (MOP-3), com a presença de representantes de todo o mundo. O governador Roberto Requião estava no evento e falou sobre a invasão.

A imprensa – incluindo agências internacionais – registrou o que ele disse e que pode ser resumido nos seguintes pontos:

• "Quero reafirmar publicamente uma relação de sociedade com os movimentos sociais no estado, em especial com o MST."

• "Para cumprir a lei, já fui obrigado inumeráveis vezes a encaminhar ações de reintegração de posse de áreas ocupadas. Mas, no caso, a Via Campesina prestou um extraordinário serviço à nação."

• Anunciou ter pedido ao governo federal a proibição das culturas transgências na fazenda e, caso fosse atendido, a Polícia Militar assumiria "a função de queimar a plantação ilegal".

• "O estado não tomará nenhuma medida em relação à ocupação sem uma ordem explícita da Justiça. Espero que a ordem seja para eliminar os transgênicos."

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Olho vivo

Armação 1 – Desconfia-se que a ex-chefe do escritório regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Elma Romanó, tenha sido vítima de uma armação. Ela teve sua prisão temporária decretada sob a suspeita de que chefiava uma quadrilha que concedia autorizações para desmatamentos ilegais na região dos Campos Gerais.

Armação 2 – Ontem, policiais do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) cumpriram 8 dos 27 mandados de prisão temporária expedidos pela Justiça. Hospitalizada, Elma foi dada como foragida, mas outros funcionários do IAP, fazendeiros, engenheiros florestais e servidores de prefeituras foram presos ou estão sendo procurados.

Armação 3 – A suspeita de que Elma seja vítima de armação decorre do fato de que foi ela que, em junho passado, escreveu longa carta ao governador Roberto Requião. Nela, não só pedia demissão do cargo de chefe do escritório regional do IAP como reafirmava as denúncias de corrupção que formulou quando assumiu o cargo. Detalhe: as denúncias diziam respeito exatamente aos mesmos fatos que levaram o Cope a pedir agora a prisão da quadrilha. Mais um detalhe: durante meses, Elma Romanó foi obrigada a trabalhar com colete à prova de bala, pois vinha recebendo ameaças dos próprios colegas.

Previsões – O ex-governador Jaime Lerner estava todo prosa durante o lançamento do livro "A Banda Polaca", do cartunista Dante Mendonça, domingo. Disse que está completamente desencantado e que nem lhe passa mais pela cabeça participar de qualquer novo projeto político. Nem por isso deixou de fazer previsões quando provocado numa roda de amigos. Disse ele: Beto Richa será reeleito prefeito de Curitiba e Osmar Dias será o próximo governador – desde que tenha como candidato a vice o deputado federal Gustavo Fruet.

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"O Porto de Paranaguá é um símbolo para o Brasil."

Do secretário especial de portos da residência da república, Pedro Brito, ontem, elogiando a eficiência do terminal paranaense.

celso@gazetadopovo.com.br

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