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Celso Nascimento

O lixo no armário

O prefeito Gustavo Fruet abriu o armário na sexta-feira e viu lá pendurado um outro esqueleto, de cuja existência desconhecia: seu antecessor não pagava há seis meses a empresa Cavo, responsável pela coleta de lixo da cidade. A dívida, que agora terá ser paga com as correções devidas, chega a perto de R$ 60 milhões.

Isto não é nada, afirmou a assessoria do ex-prefeito Luciano Ducci: com apenas 15 dias de arrecadação, a prefeitura pode zerar a dívida. Fruet pensou: por que, então, a conta que o antecessor considerou tão pequena, não foi paga na última quinzena de seu governo?

Mas este não é o único nem o maior problema relativo a lixo com que Gustavo precisa lidar com urgência. No armário das pendências se encontra também a implantação do Sipar – a usina que prometia industrializar as 2,5 mil toneladas de dejetos produzidas diariamente por Curitiba e 18 municípios da região metropolitana.

A licitação internacional para sua implantação foi lançada em 2007, na primeira gestão do prefeito Beto Richa, mas o processo rola a trancos e barrancos até hoje. Pendências judiciais paralisaram tudo. Nesse meio tempo, diante do esgotamento do aterro da Caximba, a prefeitura se viu obrigada a contratar emergencialmente uma outra empresa (a Estre, dona da Cavo) em cuja área, na Fazenda Rio Grande, o lixo passou a ser depositado.

As penúltimas informações davam conta de que bastaria um "de acordo" do consórcio de 19 prefeituras, capitaneado por Curitiba, para que o último impasse fosse superado e para que, em seguida, uma das participantes da licitação (provavelmente, a Construtora Tibagi) fosse declarada vencedora.

Entretanto, Fruet não concorda com alguns aspectos do projeto. Um deles é o que prevê um só lugar para o qual todo o lixo seja transportado. Fruet dava a isso, na campanha, o nome de "passeio do lixo" – pois exigia trajetos de 50 quilômetros (ou de 100, na ida e volta). Melhor seria, segundo ele, se fossem quatro empresas e quatro áreas. Cada área ficaria, assim, mais perto dos municípios que atendesse. Com a vantagem de que as prefeituras não ficariam reféns de um monopólio (N.R.: mas talvez de um oligopólio formado pelas quatro, o que daria quase na mesma...).

O que fazer? Anular a licitação e começar outra sob novo modelo? E levar mais oito anos discutindo o problema? O resultado que se prevê é que os impasses antigos sejam substituídos por outros mais complicados. É tudo pelo que torce a adversária administração estadual. Quanto maiores a confusão e a demora, maior a chance de Beto Richa "vender" a Sanepar – que tem pretensões de estender seus serviços para o ramo do lixo – como única solução viável. Segundo consta, Sanepar e Comec já trabalham na hipótese.

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