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Ao observar o comportamento dos nossos patrícios, percebemos que mineiro é mineiro, gaú­­­­cho é gaúcho, paulista é paulista, carioca é carioca e cearense é cearense. Prestando mais atenção notamos que em muitos estados há denominações específicas: barrigas-verdes, fluminenses, capixabas, potiguares, etc. E nós, paranaenses, quem somos? Com que nome deveríamos ser chamados?

A maioria dos nossos irmãos já incorporou um jeito definido de ser. Estereotipados ou não, gaú­­chos se comportam como gaú­­chos, os mineiros carregam o jeitinho mineiro de ser, nos baianos encontramos a musicalidade e a ginga e dos cariocas esperamos informalidade. E nós, como po­­demos definir a nós mesmos – quem são os paranaenses?

Sem identidade e comportamento definidos nos enxergamos como autofágicos, sérios e compenetrados. O IBGE registra que estamos entre os brasileiros que mais horas se dedicam ao trabalho em nosso país. Também fazemos blague dizendo que não nos reunimos nem para fazer bolo esportivo, somos desconfiados e solidários somente na hora do linchamento.

Motivos para tal maneira de ser já foram apresentados por alguns estudiosos: a ocupação recente do território com pouquíssimas cidades com mais de 300 anos, a formação geográfica desenhada por montanhas e território dobrado com escarpas e planaltos de difícil acesso. Em comportamento a gente quase se aproxima do povo mineiro – fe­­chados em vales e montanhas.

Voltando um pouco na história, vemos que o Norte Velho foi ocupado há pouco mais de cem anos, já o Norte Novo começou em 1929, e o Oeste e Sudoeste só começaram mesmo a receber gente no início dos anos 50. Para se ter uma ideia, uma viagem a Foz do Iguaçu, há algumas décadas, se fazia via Buenos Aires subindo de barco pelos rios da Prata e Paraná. Mapas não muito antigos traziam a seguinte frase a oeste de Lon­­drina: "Sertão desconhecido".

Terra fértil, fartura de água boa, sol e clima temperado atraíram pessoas de todas as partes do mundo e essas trouxeram para cá suas diferentes culturas. Essa maneira de o estado ter sido ocupado, os tipos humanos que mesclaram sua população e o curto distanciamento de tempo não permitem sedimentação suficiente de comportamento que nos possa oferecer uma identidade definida. Por isso a nossa fragmentação. Assim é na política e no meio empresarial, falta-nos lideranças firmes que busquem o interesse comum e coletivo. Paraná – Terra de todas as gentes – já foi cantado em prosa e verso por diversos autores.

É a soma desses fatores que prejudica a definição da nossa identidade. Cada vez que a procuramos, ao invés de aparecer algo definido, surge uma visagem, uma imagem vaga, não definida, daí não conseguirmos nos identificar como povo. Foi por causa disso e com esse conceito que criamos para o Ba­­merindus a campanha Bicho do Paraná.

Por outro lado, se pensarmos em longo prazo, todas as vantagens são nossas, pois poderemos ser o que quisermos. A incrível mistura cultural e genética já é a nossa riqueza presente e futura. Mas ficar esperando pelo que pode acontecer – não dá. Já é tempo de nós paranaenses re­­pen­­sarmos o estado sob o ponto de vista do que somos e do que que­­remos ser. Chega de torcer pelo Corinthians no Norte do estado, pelo Flamengo no litoral e pelo Inter no Sudoeste.

Está passada a hora de nos questionarmos, de estudar e colocar em discussão nossa cultura. Precisamos começar a nos unir e deixar de nos autodestruir. O paranismo, como movimento, precisa voltar a ser debatido porque, por falta de união política, estamos perdendo tempo e investimentos. Com o Brasil emergindo entre as nações, não podemos, por mea culpa, submergir abraçados. Para usar uma expressão tipicamente da terra: "garrêmo na chorradêra e morrêmo todo mundo abraçado."

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