O crime organizado funciona como uma corporação, com comando e hierarquia, e precisa de uma mobilização nacional para conter seu avanço. No Brasil, 40% da violência é alimentada pelas classes média e alta, que consome drogas e faz prosperar o mercado do narcotráfico. A opinião e o dado é de José Gregori, ex-ministro da Justiça do governo de Fernando Henrique Cardoso e integrante do PSDB, o partido que governou São Paulo nos últimos 10 anos.
Para ele, é preciso transformar o combate à violência numa prioridade nacional e adotar um outro tipo de combate à violência. O atual, diz Gregori, é pontual e reativo. Para o ex-ministro, é preciso sensibilizar os políticos, a Justiça e destinar mais verbas do orçamento para o combate à criminalidade.
- Temos tido uma atitude burocrática contra a violência - diz ele, que cobra do governo federal uma postura mais ativa para criar esta mobilização.
Gregori afirma que o criminoso de hoje é mais sofisticado. Tem nível de escolaridade maior e usa recursos mais sofisticados, como computadores e celulares.
- As pessoas que estão nos presídios contam o drama de não conseguir ficar à margem desta corporação. Ela alicia. É difícil ficar fora - diz Gregori.
A realidade é que, dentro dos presídios, os presos são também reféns de um comando paralelo, que atua à margem da lei e tenta fazer valer seus interesses e código de disciplina. Segundo Gregori, este tipo de organização tomou corpo no Brasil nos últimos sete anos - primeiro no Rio de Janeiro, depois em São Paulo.
Gregori reconhece que a técnica de tentar anular os sinais de celular nos presídios não deu certo e que é preciso aumentar brutalmente a vigilância para impedir a entrada destes aparelhos dentro das penitenciárias, pois a atual é insuficiente.
O ex-ministro defende ainda que se dê ao preso um horizonte de esperança de reintegração, com unidades menores, onde possa ser adotado um tipo de ressocialização impossível nos grandes presídios, com mais de mil homens. Trata-se de um modelo semelhante ao desenhado para resolver o problema da Fundação do Bem-Estar do Menor (Febem).
Gregori defende um grande engajamento nacional contra a violência, nos moldes de duas convocações de sucesso já feitas no país: a que controlou a inflação, com o Plano Real, e a que ajudou o país a passar pelo período da escassez de energia elétrica, em 2001.