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O governo do estado foi procurado pela reportagem da Gazeta do Povo para comentar a carta do ex-procurador-geral Sérgio Botto de Lacerda. A assessoria de imprensa do governo do estado informou que não haveria respostas ou manifestações sobre o caso. A Copel, porém, emitiu uma nota, divulgada no site da agência de notícias do governo, em que informa estar investigando a conduta de Botto como membro do Conselho de Administração da empresa.

O texto da nota diz que "a Diretoria da Copel encontrou arquivos cujo conteúdo aponta para procedimentos ou conduta considerados como irregulares ou, no mínimo, incompatíveis com os de um membro do seu Conselho de Administração". Segundo o texto, esses membros não devem "participar, interferir ou atuar em favor de terceiros – mesmo em caráter particular como profissional (...) – em assuntos envolvendo a Copel".

Botto, como já se tornou público, foi convidado pela Sanedo a negociar a compra, pela Copel, das ações da empresa privada no consórcio Dominó. Na nota, a Copel ainda informa que o caso "encontra-se em análise pela Copel para que, sendo o caso, seja levado ao conhecimento do Ministério Público para as providências cabíveis".

A carta de Botto de Lacerda também causou a reação de deputados. No texto enviado ao governador, o ex-procurador-geral do Estado citou nominalmente os deputados estaduais Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), líder do governo na Assembléia Legislativa (AL), e Ademar Traiano (PSDB), que criticou Botto por atuar contra os interesses do estado e em favor de uma multinacional, a Sanedo (que é francesa).

Quanto ao tucano, Botto refere-se a ele como "Traiano de tal", dizendo que o parlamentar o acusou por estar protegido "sob o covarde manto da imunidade parlamentar". Já quanto ao líder do governo, Botto afirmou que ele silenciou-se durante os comentários de Traiano. Também ironizou os conhecimentos jurídicos de Romanelli. O peemedebista retrucou dizendo que ele não faltou a nenhuma aula de Direito Constitucional, mas que Botto tem conhecimento frágil sobre Direito Administrativo e Penal. "Ele agiu, no mínimo, de forma temerária (com relação ao caso Sanedo)."

Já Traiano disse que Botto demonstra "desespero total" ao o atacar. O deputado ainda afirmou que as negociações de Botto para defender os interesses da Sanedo configuram em um crime que pode ser enquadrado no Código Penal. Para o deputado, como ex-procurador, "Botto jamais poderia admitir a possibilidade de atuar a favor da Vivendi [Sanedo], pois até pouco tempo ele patrocinou ações do governo contra a Dominó e foi ele quem assinou o ato que tirou o poder da Dominó na Sanepar".

A oposição ao governo ainda aproveitou a divulgação do conteúdo da carta para cobrar a necessidade de instalação da CPI da Corrpução no governo Requião.

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