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Odebrecht não respondeu se o grupo Odebrecht ‘obteve qualquer privilégio perante a administração pública direta, indireta ou estatais | Antônio More/Gazeta do Povo
Odebrecht não respondeu se o grupo Odebrecht ‘obteve qualquer privilégio perante a administração pública direta, indireta ou estatais| Foto: Antônio More/Gazeta do Povo

O empresário Marcelo Bahia Odebrecht, presidente da Construtora Norberto Odebrecht, ficou em silêncio na Polícia Federal durante a audiência realizada no dia 17 de julho. Acompanhado de seus advogados, o empreiteiro - preso desde 19 de junho na Operação Erga Omnes, 14.º capítulo da Lava Jato - não respondeu a uma sucessão de nove perguntas que lhe foram feitas pelo delegado Eduardo Mauat da Silva.

Apenas ao final, ele declarou. “Que continua confiando nos seus companheiros, ou seja, nos executivos que foram detidos acreditando na presunção de inocência dos mesmos”, transcreveu a PF.

Os ‘companheiros’ a que o empreiteiro se refere são executivos desligados de cargos estratégicos na Odebrecht depois que se tornaram alvo da Lava Jato, assim como ele próprio - Rogério Santos de Araújo, Alexandrino de Salles Ramos de Alencar, Márcio Faria da Silva e César Ramos Rocha.

A escolha de Odebrecht pelo silêncio já havia sido anunciada por sua própria defesa, antes mesmo da audiência. No dia 17 de junho, o empreiteiro teve dois encontros com o delegado da Lava Jato na sede da PF, onde está recolhido em caráter preventivo, por ordem do juiz federal Sérgio Moro.

O primeiro encontro, na parte da manhã, foi para tratar especificamente do bilhete que o próprio Odebrecht escreveu na Custódia da corporação - uma frase,. ‘destruir e-mail sondas’, chamou a atenção da PF e causou forte polêmica. A defesa do empresário esclareceu que a expressão significa ‘rebater’ e não destruir provas.

Na outra audiência, à tarde, ele ficou em silêncio, orientado por seus advogados, os criminalistas Dora Cavalcanti e Augusto de Arruda Botelho.

A estratégia foi antecipada pela defesa, em nota publicada pela Odebrecht antes mesmo da hora marcada para o depoimento. Ele invocou o ‘seu direito constitucional de permanecer calado’.

Mesmo assim, o delegado Mauat registrou as perguntas que fez ao investigado. “Marcelo Odebrecht não respondeu, por exemplo, se ‘participou ou teve conhecimento de qualquer esquema visando o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos em quaisquer esferas de poder, no Brasil ou exterior, ou para executivos de empresas estatais’; não respondeu se o grupo Odebrecht ‘obteve qualquer privilégio perante a administração pública direta, indireta ou estatais; ainda, se ‘foram feitas doações ou contribuições de forma direta ou indireta por parte do Grupo Odebrecht a pessoas ou entidades com o fim de obter favores ou tratamento privilegiado’.

A todas essas indagações o presidente da Odebrecht permaneceu calado. Manifestou-se apenas uma vez, quando o delegado Mauat lhe perguntou se pretendia dizer ‘algo em seu favor’. “Respondeu que sempre esteve à disposição da Justiça, prestou depoimento anterior em Brasília, acreditando que não seria necessário o cerceamento de sua liberdade.”

Finalizou dizendo que ‘continua confiando nos seus companheiros’. Os outros quatro executivos da maior empreiteira do País que também são investigados na Lava Jato seguiram a trilha do líder do grupo - todos permaneceram de boca fechada na PF naquele mesmo dia 17.

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