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Todos os dias, a capital paranaense recebe 169.770 pessoas vindas das cidades vizinhas para trabalhar ou estudar, que voltam para seus municípios no final do dia. É como se a população inteira de Almirante Tamandaré e Fazenda Rio Grande dependesse de Curitiba para suas atividades. Em toda a região metropolitana de Curitiba, 199.730 pessoas com idade de 15 anos e mais trabalham ou estudam fora do município de residência. Desses, 15% partem de Curitiba rumo aos outros municípios e o restante sai das cidades vizinhas para a capital.

Os números de um estudo do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) só apontam a quantidade de deslocamento, mas não a forma. A conta de quantos passageiros dependem do transporte coletivo para se locomover não é exata, já que além da ida e volta, alguns passageiros usam mais de uma linha durante o trajeto. Somente as linhas da Rede Integrada de Transporte (administrada pela Urbs), contabilizam 400 mil passagens por dia. Outras 293.368 passagens são pagas nas linhas metropolitanas (gerenciadas pela Coordenadoria da Região Metropolitana).

O pizzaiolo José Vocente Lopes, de 46 anos, pega o ônibus Colombo-CIC todos os dias no terminal Alto Maracanã para trabalhar no centro da capital. "Aqui não consegui emprego. Tenho que ir para Curitiba", diz. No terminal de ônibus enfrenta sempre a mesma situação. Ônibus cheio, tumulto para conseguir entrar no transporte, principalmente no início da manhã e final da tarde.

Colombo é o município que mais manda trabalhadores e estudantes para Curitiba. São 34.141 pessoas que fazem esse trajeto. São José dos Pinhais manda outros 20.529 passageiros, Almirante Tamandaré mais 19.400 e Pinhais 19.123.

Além desses, Piraquara e Fazenda Rio Grande realizam mais de 10 mil deslocamentos para estudo e trabalho, Araucária e Campo Largo entre 8 e 10 mil, Campina Grande do Sul e Campo Magro pouco mais de 3 mil. A Rede Integrada de Transportes (RIT) foi formadada na década de 80, consolidada pela adoção da tarifa única, através da utilização dos terminais de integração ou, a partir de 1991, das estações tubo, ou "ligeirinho".

A integração do transporte coletivo teve início através dos terminais construídos em bairros de fronteira, como o Ca-choeira (em Almirante Tamandaré), Autódromo (em Pinhais), Angélica (em Araucária), além da Linha Direta Aeroporto (em São José dos Pinhais). Atinge, atualmente, 59 linhas em 12 municípios.

Quem depende desses terminais, não está contente. O músico Alvito Viana descobriu qual é o lugar mais quente do terminal Alto Maracanã, em Colombo. Com teto de zinco, em dias de calor o terminal vira uma sauna. "Há cinco anos espero que reformem, mas não passa de promessa", diz Viana. As obras começaram na semana passada, para o alento dos usuários.

Em São José dos Pinhais, o soldador Romeu Santos, de 46 anos, sente falta de um terminal de ônibus com linhas integradas. "Fica caro pagar duas passagens quando venho de Curitiba. Minha mulher perdeu emprego, no Cajuru, porque o patrão dela não quis mais pagar quatro passagens", diz o morador do Jardim Félix.

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