A Polícia Civil encontrou contradições no depoimento dos policiais militares suspeitos de terem assassinado a primeiro-tenente da Aeronáutica Larissa Carolina Rodrigues Andrade Gorchinsky, de 28 anos, na noite do domingo (24), em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. Na ocasião, o marido de Larissa, o primeiro-tenente da Aeronáutica Douglas Gorchinsky Marques, de 26 anos, também foi baleado, mas conseguiu resistir e passa bem.
Segundo as primeiras investigações, os PMs, que estavam fora de sua jurisdição desconfiaram que o carro da tenente seria roubado e a mandaram parar. Como o carro não parou, eles efetuaram os disparos.
Um dos acusados, o tenente André Luis De Oliveira Milagre, do 14ºBPM (Bangu), disse em depoimento que saiu de sua área de atuação para encontrar com um informante na 35ª DP (Campo Grande). Porém, o delegado Luiz Alberto Antunes, que investiga o caso, descarta essa hipótese considerando a justificativa "irrelevante".
Já o soldado Eduardo Pinto dos Prazeres, que também está envolvido, disse que ouviu o tenente informar à sala de operações do 14ºBPM que iria se deslocar para a área do Regimento de Polícia Montada (Rpmont), em Campo Grande. O soldado se defendeu argumentando que não foi informado pelo tenente sobre a missão a ser realizada.
Disparos
Os momentos que antecederam os disparos foram descritos pelos envolvidos que participavam da patrulha: o soldado, o tenente, e os cabos Alexandre Conceição e Ricardo de Azevedo Fernandes.
Todos disseram que o tenente Milagre reconheceu o Ford Ecosport preto, com vidros fumê, como um carro roubado. Em seguida, o PM desceu do veículo e ordenou que o veículo parasse. Segundo os PMs, o motorista do Ecosport não respeitou a ordem de parar e, a seguir, eles teriam ouvido um "estampido". Logo após, os policiais iniciaram os disparos.
Os quatro fuzis FAL 7,62 utilizados pelos PMs e o Ecosport foram apreendidos pela polícia. A Polícia Civil aguarda o depoimento do pai da vítima e do tio, segundo o delegado Antunes. Quatro frentistas do posto de gasolina, localizado em frente ao local do crime, já prestaram depoimento, mas segundo o delegado, não acrescentaram nada.
Oficial passa bem
De acordo com o último boletim médico divulgado pelo Hospital de Aeronáutica dos Afonsos (HAAF), o marido de Larissa, o também primeiro-tenente da Aeronáutica Douglas Gorchinsky Marques, está totalmente lúcido e consegue conversar normalmente.
O quadro clínico de Douglas apresenta uma "evolução satisfatória". No entanto, não há previsão da vítima receber alta, segundo o boletim médico.
Enterro
Larissa foi enterrada na tarde de segunda-feira (25) no cemitério Jardim da Saudade, em Paciência, Zona Oeste. Oficiais, parentes e amigos estiveram presentes no cortejo fúnebre, mas nenhum familiar quis falar com a imprensa. Ivanete Victor, vizinha do casal, não acredita na versão da polícia. "Eles (Larissa e Douglas) jamais furariam o cerco policial. É o preço da impunidade. Hoje foi a Larissa, já foi o João Hélio e quantos mais serão. Todos nós estamos sujeitos a isso. É um absurdo", reclamou.







