Raupp (à dir.) com Temer: aliança com PT é “sólida”, mas pode mudar até 2014| Foto: José Cruz/ABr

Sucessão presidencial

Presidente do partido defende candidatura própria em 2014

O momento "saia justa" do Fórum Nacional do PMDB ficou por conta do presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RO). Na presença do secretário-geral do PT, Eloi Pietá, e minutos antes da chegada da ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, e do líder do PT no Senado, Humberto Costa, o presidente do PMDB voltou a defender a candidatura própria à Presidência da República nas eleições de 2014. Temer que tem pretensões de repetir a chapa, daqui a três anos, como vice de Dilma, ainda não havia chegado ao encontro.

Agência Estado

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Preocupada em manter a aliança com o PMDB, a presidente Dil­­­ma Rousseff desempenhou ontem o papel de mestre de cerimônia do Fórum Nacional do partido. O objetivo era minimizar o impacto da segunda demissão de um ministro da legenda por escândalos no intervalo de um mês.

Um dia depois de demitir o deputado Pedro Novais (PMDB-MA) do Ministério do Turismo, Dilma distribuiu elogios à legenda. "O PMDB é o parceiro fundamental no meu governo", disse Dilma, que chegou ao Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, ao lado do vice-presidente Michel Temer e foi aplaudida pela plateia.

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"Agradeço a ação firme do PMDB, por meio do apoio que as suas bancadas na Câmara e no Senado prestam ao meu governo, bancadas sempre presentes e leais, quando estão em jogo interesses do país e as demandas do povo brasileiro", disse Dilma, após exaltar a "eficiência e lealdade" de Temer e falar do relacionamento "estreito e efetivo" que mantém com ele.

Até o final da manhã a ida de Dilma ao encontro do PMDB não estava confirmada. Mas, para tentar amenizar os problemas que vem enfrentando com o partido, a presidente foi aconselhada a não faltar ao evento, principalmente por conta de demissão de Novais, envolvido em irregularidades, quase um mês depois da saída de Wagner Rossi da Agricultura, outro ex-ministro do PMDB atingido por denúncias de corrupção.

Em seu discurso de cerca de meia hora, a presidente Dilma agradeceu aos peemedebistas que lhe deram apoio nas eleições presidenciais de 2010 e fez questão de lembrar que o governo dela é de coalizão. "Muitos consideram mais fácil comandar governos de partido único. Aqui em nosso país essa não é a maneira de que nós gostamos. Não é a maneira democrática de governar", disse Dilma. "Nós somos um governo de coalizão e esse governo de coalizão exige de nós maior capacidade de articulação política, maior democracia nas nossas relações, mas ele também reflete a pluralidade e a complexidade da própria sociedade brasileira e também as características participativas da democracia brasileira."

Sarney

Com a presença de apenas dois dos cinco governadores do partido, o encontro nacional do PMDB acabou se transformando em um palco para o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Um dia depois de conseguir manter o Ministério do Turismo nas mãos do PMDB do Maranhão, Sarney foi reverenciado pelo PT e pela presidente Dilma.

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A presença de Dilma não "ofuscou", no entanto, as au­­­sências do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e do prefeito carioca, Eduardo Paes. A governadora do Maranhão, Roseana Sarney, e o governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, também não apareceram no encontro.

Cabral e Paes tentaram emplacar no lugar de Novais o deputado licenciado Leonardo Picciani (PMDB-RJ). Ambos temiam que Dilma acabasse cedendo a Temer, e deslocasse para o Turismo o ex-governador fluminense e atual ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), Moreira Franco.

Durante o Fórum Nacional, o partido lançou uma carta com 15 compromissos com o povo brasileiro. Um dos pontos é a "garantia de liberdade de imprensa, que é a luta nossa desde a criação do MDB". A carta também defende a reforma política, a sustentabilidade ambiental e melhorias na saúde, educação e segurança pública.