Diplomação: Dilma e Michel Temer receberam documento oficial da eleição das mãos do presidente do TSE, Ricardo Lewandowski| Foto: Carlos Humberto/TSE

Governo estadual

Em cerimônia, Beto confirma auditoria nas contas do estado

Euclides Lucas Garcia

Na diplomação de todos os políticos eleitos pelo Paraná nas eleições deste ano, realizada ontem em Curitiba, o futuro governador do estado, Beto Richa (PSDB), voltou a demonstrar preocupação com a situação financeira que receberá do atual chefe do Executivo estadual, Orlando Pessuti (PMDB). Prometendo cortar gastos públicos e diminuir a máquina pública, o tucano confirmou a realização de uma auditoria assim que tomar posse, no dia 1.° de janeiro.

Pouco antes de receber o diploma de governador eleito, Richa disse em entrevista que terá como maior desafio "colocar a casa em ordem, recuperando as finanças e aumentando a capacidade de investimento do estado". Resgatando o bordão de que fará um "choque de gestão", segundo o qual promete fazer mais e melhor gastando menos, Richa disse que uma auditoria nas contas públicas poderá mostrar os verdadeiros números financeiros do Paraná. "Trabalhamos com essa possibilidade até para que não pairem mais dúvidas se os números apontados por nossa equipe correspondem com a verdade", declarou.

Em resposta, Pessuti disse ver a decisão como normalidade, mas ressaltou que as contas do estado estão em ordem. "Não vejo problema nenhum [na auditoria]. Todo governante que assume faz os seus levantamentos definitivos ao tomar posse", argumentou. "Estamos tranquilos porque, apesar de todas as dificuldades, estamos honrando todos os nossos compromissos."

Sobre os aumentos salariais e reajustes aprovados esta semana pela Assembleia aos três poderes do estado, em meio a essa suposta crise no caixa do estado, o governador eleito voltou a defender que essa foi uma decisão tomada pelo Legislativo. "Não sou deputado, então não posso responder pela Assembleia. Respondo pelo meu governo e sempre coloquei que respeito a independência do Legislativo", esquivou-se. Pelos números divulgados até agora, essas medidas custarão pelo menos R$ 123 milhões aos cofres públicos.

Secretariado

Richa comentou ainda a denúncia do Ministério Público Estadual (MP) contra o delegado federal Reinaldo de Almeida César Sobrinho, que foi escolhido pelo tucano para comandar a pasta da Segurança Pública. Sobrinho responde na Justiça pelo crime de desvio de dinheiro público enquanto era funcionário comissionado da prefeitura de Ponta Grossa, entre 1997 e 2000. "Aqueles que o acusam deviam conhecer melhor a realidade. Tenho plena confiança no meu secretário. A justiça será feita logo, logo", afirmou

Em relação a qual pasta será oferecida ao deputado federal Gustavo Fruet (PSDB) – que ficou em terceiro na disputa das duas vagas do Paraná no Senado e não terá mandato a partir de 2011 –, Richa disse que o parlamentar ocupará uma secretaria especial, mas não mencionou qual.

Além do tucano, foram diplomados ontem o vice-governador eleito, Flávio Arns (PSDB); Gleisi Hoffmann (PT) e Roberto Requião (PMDB) ao Senado; os 30 deputados federais e os 54 estaduais eleitos em outubro. Um fato que chamou a atenção foram as ausências de Nelson Justus (DEM) e Alexandre Curi (PMDB), respectivamente, presidente e primeiro-secretário da Assembleia. Acusados pelo MP de improbidade administrativa devido ao caso Diários Secretos, ambos justificaram previamente a ausência ao Tribunal Regional Eleitoral do Paraná.

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Beto Richa recebeu o diploma ao lado de seu vice, Flávio Arns: governador eleito voltou a dizer que está preocupado com o estado das finanças do Paraná
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A presidente eleita, Dilma Rousseff, foi diplomada ontem pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com a promessa de defender a liberdade de imprensa e de culto. Dilma reafirmou, ainda, o compromisso com a estabilidade econômica. Na mesma cerimônia, o vice Michel Temer também foi diplomado.Num discurso curto, de seis minutos e meio, Dilma destacou algumas das prioridades de sua futura gestão, como a educação, a segurança das comunidades e a saúde de todos os brasileiros. Ao lembrar que é a primeira mulher eleita presidente da República, disse que vai se empenhar em honrar seus compromissos, cuidar dos mais frágeis e governar para todos.Dilma exortou o povo brasileiro a trabalhar a seu lado. "Conto com todos e todas. E todos e todas podem contar comigo", insistiu. Por um momento, pareceu que ia chorar e fez uma pausa, mas segurou as lágrimas. Emocionada, afirmou que sua eleição "rompe os preconceitos, desafia os limites e enche de esperança um povo sofrido."

Com um vestido e blazer azul – enfeitado com renda em tom de vinho –, Dilma recebeu o diploma das mãos do presidente do TSE, ministro Ricardo Lewandowski. "O TSE declara que ambos (Dilma e Temer) encontram-se legalmente aptos a tomar posse perante o Congresso Nacional, respectivamente, nos cargos de presidente e vice-presidente da República, com todos os direitos e deveres a eles inerentes", afirmou Lewandowski.

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Para a cerimônia, a presidente eleita convidou a mãe, Dilma Jane, e a filha, Paula. Também foram chamados os ministros já escolhidos, os presidentes do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e da Câmara, Marco Maia (PT-RS), além dos três coordenadores de sua campanha, apelidados de "três porquinhos": Antonio Palocci, futuro ministro da Casa Civil, José Eduardo Cardozo, que assumirá a Justiça, e o presidente do PT, José Eduardo Dutra. Dilma também levou para a cerimônia a jornalista Maria Olga Curado, responsável pelos exercícios de aikidô que garantiram tranquilidade à candidata, durante a campanha.

A futura presidente não se esqueceu de Lula, que bancou a candidatura dela, conseguiu transformar em votos a sua popularidade e a elegeu. Disse que tem consciência de que será muito difícil suceder ao presidente que, na sua avaliação, chegou à Presidência pela ousadia do povo brasileiro.

A presidente eleita disse que qualquer estratégia política e econômica só será efetiva caso se "reflita diretamente na vida de cada trabalhador, de cada empresário, de cada família". O diploma presidencial recebido por Dilma foi feito pela Casa da Moeda do Brasil. Diz: "Pela vontade do povo brasileiro, expressa nas urnas em 31 de outubro de 2010, a candidata pela Coligação "Para o Brasil Seguir Mudando", Dilma Vana Rousseff, foi eleita presidente da República do Brasil.

Comemoração

O presidente Lula chegou acompanhado de Dilma e Temer ao coquetel no Itamaraty, realizado após a diplomação de ambos. Ao subir a escadaria para o salão Brasília, o presidente não quis falar, afirmando ser o dia de Dilma. Apenas posou para fotos. Ao seu lado, a primeira-dama, Marisa Letícia, brincou: "Quando ele está comigo não fala". Já a presidente eleita, perguntada se a escolha de ministros estava perto final, disse que estava "quase".

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Foram distribuídos 400 convites para o coquetel, somando cerca de 800 pessoas. Entre os convidados, ministros, futuros ministros e ex-ministros, parlamentares, empresários e políticos ligados ao PT e partidos aliados, diplomatas. Estavam na lista de Dilma o atual presidente do Sebrae, Paulo Okamoto, que será responsável pelo Instituto de Lula; o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, ministros já confirmados no cargo, como Nelson Jobim, da Defesa; José Eduardo Cardozo, da Justiça; e Izabella Teixeira, do Meio Ambiente. E também outros que gostariam de ficar, como Juca Ferreira, da Cultura.

Saúde

A presidente eleita já avisou ao ministro Alexandre Padilha, que hoje responde pelas Relações Institucionais, que ele será o futuro ministro da Saúde. Ela deve oficializar a decisão na próxima segunda-feira, quando espera anunciar o restante de sua equipe.

O anúncio ainda não foi feito pois Dilma estuda quem nomear no lugar de Padilha. Ela tende a convidar o deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), mas tem sido aconselhada a analisar o nome do deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP).

Como líder do governo Lula, Vaccarezza é considerado um nome com mais experiência nas negociações de interesse do Executivo. Conta contra ele, porém, ter colecionado atritos no cargo. Vaccarezza perdeu para Marco Maia (PT-RS) a disputa dentro do PT de quem seria o candidato da sigla a presidente da Câmara.

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Pesa a favor de Luiz Sérgio o fato de ser o representante do Rio na cota petista no ministério de Dilma.