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Dadaísmo ou não, o primeiro dia de programação eleitoral nos lembrou da culinária indiana, mais propriamente de um prato – o chamado "maharaja thali". Que não é propriamente um prato, mas um perfil de refeição cuja lógica é absolutamente simples: por um preço ínfimo, você recebe uma travessa redonda, grande, internamente dividida em várias pequenas células. Nelas, o cozinheiro despeja minúsculas porções dos mais diversos acepipes, dos curries mais apimentados aos doces mais incapacitantes – você come de tudo e deveria ficar feliz por isso, mas, no final das contas, acaba com a sensação de que não comeu nada (e com a barriga pesada), exatamente porque as porções eram muito, muito reduzidas.

Nos programas desta terça-feira o que vivenciamos foi exatamente isso, com a desvantagem de que a "culinária eleitoral tupiniquim" – esse "Livro da Ofélia" de pirões com pouca farinha e muita água – é mais do que conhecida.

O Mineiro e o Baiano

Serra iniciou seu programa de rádio com os necessários personagens mineiro e baiano (eleitorado mais promissor + eleitorado mais desafiador), um deles (o mineiro) deficiente visual (cuja voz, aliás, é muito parecida com a do humorista mineiro – e cego – Geraldo Magela). Falou da infância pobre, do fato de ter estudado em escola pública, de ter sido presidente da UNE e também "o melhor ministro da Saúde do Brasil". Na tevê não avançou para muito além disso, deixando uma sensação de papel carbono na psique de quem, por dever de ofício, encarou a sessão dupla de pancadaria.

Adivinhe quem veio

Na rádio e na tevê, Dilma apelou para o recurso lulístico óbvio ululante (êita, trocadilho velho). O presidente, aliás, entrou duas vezes nos programas de rádio e tevê da candidata petista, associado ao bordão "Lula está com ela, eu também estou". Dilma falou, também, da própria origem – argumento de primeiro programa que, de vez em quando, deve retornar ao écran –, buscando vender a própria imagem como administradora pública competente e experiente. Sua trilha sonora: sambinha, moda de viola e, na abertura do programa de rádio, um furtacor tema de corte triunfalista-hollywoodiano. Leia mais no blog (clique aqui).

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