O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, comemorou ontem a vitória de Dilma Rousseff nas eleições no Brasil. Para a diplomacia iraniana, a eleição da petista "fortalece o bloco antiamericano" no mundo. A expectativa de Ahmadinejad é de que a política externa brasileira siga os mesmos passos da diplomacia do governo Lula, que se alinhou ao Irã.

Acusado de comandar um país com corriqueiras violações aos direitos das mulheres e de ainda manter leis como a do apedrejamento de adúlteras, Ahmadinejad fez questão de elogiar o fato de o Brasil ter escolhido sua primeira mulher presidente. Segundo o presidente iraniano, isso a eleição de Dilma irá impulsionar o "vistoso progresso" nos laços entre os dois países.

"As relações entre Irã e Brasil se desenvolveram nos últimos anos e estou convencido de que sob vossa presidência estas relações continuarão se aprofundando", afirma Ahmedinejad em uma mensagem enviada a Dilma. "A relação entre o Irã e o Brasil continuará e será consolidado sob a liderança de Dilma", disse Ahmadinejad à agência de notícias estatal Irna.

Nos últimos anos, o governo Lula fez questão de opor às sanções impostas contra o Irã nas Nações Unidas e tentou intermediar um acordo para solucionar a questão nuclear comTeerã. O processo fracassou e a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, chegou a alertar ao Brasil que estava sendo usado por Ahmadinejad.

O governo brasileiro, porém, defende sua estratégia de impedir que países, mesmo ditaduras, sejam isolados da comunidade internacional por causa de violações de direitos humanos.

África e Honduras

Ontem, na ONU, delegações de nações africanas e de outros países em desenvolvimento também elogiaram a eleição de Dilma. "A África está aberta a investimentos de todo o mundo e de todos os nossos parceiros. Mas a realidade é que o Brasil entende melhor como funciona nossa cultura, nossas realidades", afirmou Christiana Tah, ministra de Justiça da Libéria, país democrático. "Estamos negociando uma obra fundamental com a Vale [empresa de mineração] na Libéria e queremos manter a boa relação com o Brasil", disse ela.

Já o Sudão, ditadura praticamente isolada na comunidade internacional, aposta na continuidade de uma boa relação com o Brasil sob o governo Dilma. O Brasil é um dos únicos países da América Latina a ter uma embaixada em Cartum, capital sudanesa. O outro é a Venezuela. "Temos uma relação privilegiada com o Brasil e, com a vitória de alguém que foi preparada por Lula, temos a segurança de que não seremos abandonados pelo Brasil", disse a assessoria de imprensa do governo do Sudão.

Já na América Latina, a vice-presidente de Honduras, María Antonieta de Bográn, deixou claro que sua esperança é de que os atritos entre o Brasil e seu governo sejam superados. O Brasil hospedou em sua embaixada em Honduras o ex-presidente Manuel Zelaya, depois do caos institucional que marcou o país em 2009. O governo de Porfirio Lobo assumiu em janeiro e Lula resistiu em aceitar a normalização das relações.

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