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O governo de Dilma Rousseff estará mais voltado para as questões domésticas, ao contrário do segundo mandato de Lula, focado na agenda internacional. Essa é a avaliação do diretor do programa de Estudos de América Latina da Universidade Johns Hopkins (EUA), Riordan Roett. Ele não acredita que a relação entre os Estados Unidos e o Brasil sofra alterações importantes, mas alerta que Washington terá de se ajustar a um Brasil cada vez mais agressivo. Roett vê o Mundial de 2014 e a Olim­­píada de 2016 como dois grandes desafios, tanto pela grandiosidade como pelo alto potencial de corrupção. Para ele, os recentes escândalos políticos não devem comprometer o início do governo Dilma.

Qual é sua análise, de um ponto de vista mais geral, desta eleição?

A coisa mais importante é que é uma eleição aberta, competitiva e democrática. Contrasta o Brasil com países como Argentina, Venezuela ou Equador. É um sinal positivo ao desenvolvimento político do Brasil.

O que espera do governo Dilma Rousseff?

É esperado que Dilma concentre seu foco muito mais nos temas internos, se comparado ao último mandato de Lula, que foi centrado mais em questões internacionais.

Mudará a relação Brasil-EUA?

Haverá complicações e acomodações. Quando o Brasil assumir um caminho próprio, haverá confronto. No caso do Irã, Washington teve uma percepção negativa do acordo que Brasil e Turquia tentaram fazer. Mas no Terceiro Mundo e no mercado emergente, os sinais foram positivos. Os EUA terão de se adaptar a um Brasil mais agressivo. O Brasil, como membro do Bric, terá um papel crescente, e Wa­­­shington ainda não está totalmente pronto para aceitar isso.

Qual será a diferença na postura internacional de Dilma?

O Itamaraty terá um papel mais central. Se Marco Aurélio Garcia (assessor de Lula para Assuntos Internacionais) for o chanceler, o cenário será um. Se for Antonio Patriota, ex-embaixador em Washington que representou muito bem o Brasil, será outro. Marco Aurélio é mais ideológico, e provavelmente o Brasil não precisará disso nos próximos quatro anos, quando o presidente terá de lidar com a Copa de 2014, a Olimpíada de 2016, o pré-sal, o G-20. São questões políticas complicadas, e talvez seja melhor ser menos agressivo em política externa.

Dilma terá política externa mais moderada?

Acredito que ela correrá menos riscos. Não tem muita experiência em política externa, e a agenda doméstica, que ela conhece bem, será bastante complicada. Dilma estará presente nos encontros internacionais, mas no dia a dia delegará a responsabilidade ao Itamaraty.

Qual é o futuro das relações econômicas dos EUA com o governo Dilma?

Os EUA são o segundo parceiro econômico do Brasil. Haverá muitos investimentos estrangeiros no Brasil, dos EUA e de outros países. Em questões mais amplas, como meio ambiente, há uma posição mais ou menos complementar. No comércio há ainda o que ajustar para que o Brasil possa exportar. O Brasil e a China têm forçado mudanças no FMI, que deverão ocorrer. A Casa Branca está apoiando esses movimentos. Dependendo do tema, a política americana será de mais ou menos apoio. Mas os EUA terão de entender que o Brasil é um país mais complicado do que China, Índia ou Rússia.

As denúncias às vésperas das eleições comprometem o início do governo?

De certa forma, infelizmente isso [escândalos] faz parte do processo político no Brasil. Mas isso não afeta o crescimento econômico, o que é importante para as classes média e baixa. A maioria dos brasileiros que votaram em Dilma o fez por causa do bom desempenho econômico dos oito anos de governo Lula.

Na política interna, Dilma promoverá mudanças significativas?

Espera-se que o papel do Estado seja pequeno no Brasil, caso de Chile, Uruguai e, em menor grau, Peru e Colômbia. A perspectiva é de mais parcerias público-privadas, e que o Estado aumente seus recursos para educação, ciência e tecnologia. Dilma terá um desafio grande com 2014 e 2016. Terá de colocar muito rapidamente muito dinheiro público na infraestrutura e lidar com os perigos da corrupção.

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