O promotor Amilcar Macedo confirmou nesta terça-feira (21) que o acesso a dados de pessoas públicas feito de dentro da Casa Militar do governo do Rio Grande do Sul não se limitou aos nomes divulgados inicialmente. A senha do sargento Cesar Rodrigues de Carvalho foi usada para vasculhar também informações do candidato do PT à prefeitura de Lajeado, Luiz Fernando Schmidt, em 2008, e do deputado estadual Nelson Marchezan Junior (PSDB).

Além deles, a espionagem atingiu a ex-presidente do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) Stela Maris Simon, a procuradora-geral de Justiça Simone Mariano da Rocha, o procurador da República Adriano Raldi, o ex-representante do Estado em BrasíliaMarcelo Cavalcante, morto em fevereiro do ano passado, e da mulher dele, Magda Koenigkan, entre outros nomes.

Carvalho trabalhou na Casa Militar entre janeiro de 2009 e agosto de 2010, período em que teria feito mais de 10 mil acessos a dados do Sistema Integrado de Consultas. Macedo afirma que as consultas feitas não estão relacionados a informações necessárias à segurança da governadora Yeda Crusius (PSDB), responsabilidade da Casa Militar.

O sargento ficou preso entre os dias 3 e 15 de setembro por suspeita de extorsão de contraventores. Na mesma investigação, o Ministério Público (MP) descobriu que ele acessava indevidamente dados de políticos, policiais, jornalistas, advogados e até crianças. Carvalho ficará trabalhando na área burocrática da Brigada Militar (BM, a Polícia Militar gaúcha) até que um inquérito apure se cometeu irregularidades ou não.

As informações iniciais indicavam que os dados do ex-ministro da Justiça e candidato ao governo gaúcho, Tarso Genro (PT), do senador Sérgio Zambiasi (PTB), de Yeda Crusius e da deputada estadual Stela Farias (PT) e seus filhos foram acessados pelo sargento. O militar sustentou que não verificava informações sigilosas e que agia a mando de chefias.

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