Beto Richa caminha nas ruas durante a campanha de 2004, acompa­nhado de seu candidato a vice, Luciano Ducci (à direita), hoje prefeito de Curitiba| Foto: Jorge Woll/ Arquivo/ Gazeta do Povo
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Charge publicada durante a campanha de 2004 pela Gazeta do Povo mostrava os principais candidatos (Mauro Moraes, Osmar Bertoldi, Rubens Bueno, Beto Richa e Angelo Vanhoni) dentro de um ônibus: redução da tarifa foi o principal assunto daquela eleição
Angelo Vanhoni (PT) tinha o apoio do governo estadual e federal. Na Rua XV, ele faz campanha ao lado de Roberto Requião e José Dirceu
Beto Richa (PSDB) não tinha o apoio do prefeito à época, Cassio Taniguchi, mas a maioria na Câmara Municipal o apoiava. Na foto ele aparece ao lado de João Cláudio Derosso, então presidente da Casa, Luciano Ducci, candidato a vice-prefeito, e Michele Caputo Neto, e Mario Celso
Osmar Bertoldi (PFL) era o candidato de Taniguchi, mas ficou apenas em quarto lugar. Na foto ele mostra caricatura feita no calçadão da Rua XV
Rubens Bueno concorreu pelo PPS e ficou em terceiro lugar, com 188,3 mil votos
Mauro Moraes, na época pelo PL, faz campanha no calçadão da Rua XV. Ele fez 44,4 mil votos e apoiou Vanhoni no segundo turno
Melo Viana concorreu pelo PV e conquistou 13,1 mil votos
Vera Helena Teixeira era a única candidata mulher entre os 12 postulantes. Ela representou o PRTB e fez 3,7 mil votos
Leopoldo Campos, do PSDC, fez 3,3 mil votos
Gilberto Félix, pelo PSTU, se apresentava como
Jorge Luiz de Paula Martins, que fez 925 votos, concorreu pelo PRP
Achiles Batista (PTC), ficou em último lugar na disputa, com 644 votos. Outro candidato foi Pedro Manoel dos Santos Neto (PMN), com 2,4 mil votos
Em comício de Beto Richa, Luciano Ducci discursa, observado por Jaime Lerner e outros
Requião discura em comício de Vanhoni
Charge do cartunista Paixão anuncia debate com os candidatos no dia 29 de setembro
Imagem de debate realizada pela TV Paranaense, hoje RPC TV, no qual participaram oito candidatos
O apoio de Rubens Bueno foi disputado por Richa e Vanhoni no segundo turno, mas ele ficou neutro. Na foto, ele faz carreata ao lado de Ratinho Jr., que estava no PPS
Richa: ganhando todas, ao contrário do PSDB.
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Curitiba teve 12 candidatos a prefeito em 2004, um recorde. Muitos partidos queriam aproveitar o momento delicado pelo qual o prefeito à época, Cassio Taniguchi (PFL), vinha atravessando. Ele padecia do mal que é o inimigo número 1 dos políticos: a impopularidade. O desgaste era tão grande que até o vice-prefeito rompeu com Taniguchi. Beto Richa (PSDB), que havia sido escolhido como fiel escudeiro em 2000, resolveu concorrer sem o apoio do PFL e assumiu uma postura de oposição – da qual muitos concorrentes e até eleitores duvidaram na época. Mas, com o trunfo da redução da tarifa de ônibus, Richa conseguiu vencer a máquina estadual e federal e venceu a disputa de 2004.

VÍDEO: Coordenador da pós-graduação em Gestão Urbana da PUCPR, Fábio Duarte, destaca a importância do transporte público na campanha eleitoral.

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FOTOS: Veja imagens da campanha de 2004

A estratégia eleitoral de Richa tomou forma no fim de janeiro daquele ano. Taniguchi autorizou um rea­­juste na passagem de ônibus e viajou ao exterior. A tarifa passou de R$ 1,65 para R$ 1,90 em um domingo. O vice-prefeito assumiu e cancelou o aumento na terça-feira. Taniguchi voltou e teve de enfrentar o imbróglio. A Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), vinculada ao governo estadual, na época comandada por Roberto Requião (PMDB), também era contra o reajuste, e requisitou as planilhas de cálculo da tarifa.

No início de março, sem resposta da Comec, Taniguchi suspendeu a integração do transporte com as demais cidades da região metropolitana e elevou a passagem para R$ 1,70 na capital. Em 9 de abril, a jogada de Richa e a pressão da Comec naufragaram. A integração voltou a valer, e todas as tarifas passaram a ser de R$ 1,90.

Mas a pauta da eleição já estava definida: reduzir o preço da passagem. Essa era a grande carta na manga de Richa, que precisava de uma estratégia forte para o combate com Angelo Vanhoni (PT), favorito nas pesquisas. O petista havia conquistado um forte capital eleitoral em 2000, quando perdeu de Taniguchi por apenas 26,5 mil votos no segundo turno, uma diferença de 3%. Além disso, o petista contava com o apoio de Requião e do presidente Lula.

Vanhoni inicialmente poupou Richa de críticas. A vantagem de Richa no primeiro turno – 329,4 mil votos contra 292,9 mil do petista – exigiu mudança de rumos. No segundo turno, Vanhoni passou a criticar de forma mais incisiva o oponente pelos problemas que afligiam a cidade, e tentou vinculá-lo ao que considerava a indústria da multa na cidade.

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Mas as maiores ressalvas contra o tucano foram feitas por Taniguchi, alvo de críticas crescentes. Em 4 de outubro, Richa declarou que havia saído da administração municipal por "divergências ideológicas, administrativas e políticas" com Taniguchi. "A reconciliação é impossível", sentenciou Richa a respeito do atual secretário estadual de Planejamento. Em 19 de outubro, o tucano declarou que os desentendimentos teriam iniciado ainda em 2000, e que o "rompimento" total teria ocorrido em janeiro, com o episódio das tarifas de ônibus.

Taniguchi respondeu em um artigo na Gazeta do Povo: "Depois do alegado ‘rompimento’, Beto Richa compareceu como pré-candidato e inclusive discursou como vice-prefeito em audiências públicas de prestação de contas". O prefeito também destacou que Richa havia assumido a prefeitura por um total de 75 dias, e se não fez mais pela cidade foi por "falta de iniciativa", e não por "falta de oportunidade".

Mas o que não faltou a Richa foi o senso de oportunidade eleitoral. Ao se colocar como oposição mas sem inovar muito, conquistou o voto dos curitibanos, conservadores por natureza, e pavimentou sua carreira. No segundo turno, Richa venceu Vanhoni com 494,4 mil votos (54,78%) contra 408,1 mil (45,22%).

As idas e vindas dos personagensde 2004

Angelo Vanhoni (PT) concorreu à prefeitura de Curitiba em 2004 com o apoio do PMDB, que indicou o vice, Nizan Pereira. A coligação, abençoada pelo então governador Roberto Requião, foi a gota d’água para o então deputado federal Gustavo Fruet. Ele queria ser o candidato peemedebista. Mas, sem espaço no partido, saiu da legenda e decidiu apoiar Beto Richa (PSDB) para a prefeitura. Hoje Fruet está no PDT, será candidato a prefeito com o apoio do PT de Vanhoni e disputará a eleição contra o prefeito Luciano Ducci (PSB), apoiado por Richa.

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No segundo turno de 2004, Richa e Vanhoni buscaram o apoio dos demais candidatos. Rubens Bueno (PPS), que ficou em terceiro lugar no primeiro turno, com 188,3 mil votos, era o mais cobiçado. Mas preferiu ficar neutro. Bueno hoje também é alvo do desejo. Ducci o quer como vice. Mas, por enquanto, ele não disse nem que sim nem que não.

Outro cotado atualmente para ser vice de Ducci é Osmar Bertoldi (DEM). Em 2004, então no PFL, Bertoldi era o candidato apoiado pelo prefeito Cassio Taniguchi. Fez 58,5 mil votos e não declarou apoio a Richa no segundo turno.

Já Mauro Moraes, que em 2004 estava no PL do vice-presidente José Alencar, foi para o lado de Vanhoni no segundo turno, tentando agregar à campanha do petista seus 44,4 mil votos conquistados na primeira etapa da eleição. Hoje Moraes é filiado ao PSDB de Richa.

Memória das Eleições

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Memória das eleições curitibanas | 3:46

O coordenador da Pós-Graduação em Gestão Urbana da PUCPR, Fábio Duarte, destaca a importância do transporte público na campanha eleitoral e fala sobre a necessidade dos candidatos incluírem em seus planos de governo outros modais, como a bicicleta.

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No último domingo de cada mês, até julho, a Gazeta do Povo publicará uma página mensal relembrando cada uma das eleições para prefeito ocorridas a partir de 1985. O site do jornal trará ainda depoimentos de pessoas que tiveram alguma participação nessa história.