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Lula e Sarkozy, no Palácio do Planalto: troca de gentilezas revela alinhamento nas áreas militar, econômica e ambiental | Ian Langsdom/AFP
Lula e Sarkozy, no Palácio do Planalto: troca de gentilezas revela alinhamento nas áreas militar, econômica e ambiental| Foto: Ian Langsdom/AFP

Plateia de admiradores aclama Lula

Brasília - Agência Estado

Além dos afagos do presidente francês Nicolas Sarkozy, o presidente Lula recebeu ontem aclamação popular no desfile do Sete de Setembro. Mas, para isso, o governo escolheu a dedo quem iria ocupar as arquibancadas mais próximas do palanque principal. Para entrar, era preciso apresentar um convite oficial – "individual e intransferível" – distribuído pela Presidência da República.

Assim, a arquibancada ficou repleta de admiradores de Lula – havia militares, funcionários dos ministérios e petistas de carteirinha. Seguranças do Planalto guarneciam a entrada e cobravam a apresentação do convite. Havia ordem para não deixar que jornalistas entrassem.

BRASÍLIA - A disposição do governo brasileiro para comprar caças franceses rendeu frutos diplomáticos para o presidente Lula. Na visita que fez ao país, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, voltou a defender que o Brasil ocupe uma cadeira no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) – antiga reivindicação dos brasileiros. Segundo o francês, isso seria uma questão de "justiça’’.

Em declaração conjunta ao lado de Lula, Sarkozy defendeu reformas na ONU que permitam maior participação dos países em desenvolvimento, como o Brasil, nas decisões tomadas pela cúpula mundial. "Re­­­pre­­­­sentamos 85% do PIB mundial, mas as instâncias nas Nações Unidas devem se reformar ou correm o risco de perder a sua legitimidade. As Nações Unidas devem se reformar. Estamos no século 21, não podemos considerar normal que a África não tenha um membro permanente no Conselho de Segurança de Segurança. Tam­­bém não acredito que, no café da manhã do G-8, não possamos convidar o Brasil. Isso é perigoso’’, afirmou o presidente francês.

Assim como Sarkozy, Lula também defendeu mudanças no atual modelo da ONU que permita maior representatividade de países em desenvolvimento. Lula também disse ser favorável à maior participação de países pobres em discussões mundiais e ao fortalecimento dos Estados nacionais. "O mundo não pode esquecer o que aconteceu no ano passado. A lógica de que o mercado ia resolver tudo faliu. O Estado não pode abrir mão de ser o indutor. Tivemos que induzir mais dinheiro na produção. Se não existe o Estado, as coisas não funcionam com a facilidade que alguns imaginavam que iam funcionar. Vamos cobrar que cada país faça sua parte para que a crise não resulte no sofrimento dos mais pobres’’, afirmou.

Os dois presidentes se mostraram dispostos ainda a apresentar posições conjuntas na reunião de Copenhague, na Di­­­namarca, prevista para dezembro deste ano, cujo tema principal será a discussão das mudanças climáticas.

Mudanças climáticas

Sarkozy disse que, se os países ricos desejam que o Brasil tenha sua ampla participação na defesa ambiental, devem apresentar condições de trabalho aos países em desenvolvimento. "Se quisermos que o Brasil tenha toda sua participação da defesa do meio ambiente em Copenhague, é preciso dizer que há direitos e deveres. Não podemos dizer aos países emergentes que eles contam menos e vão pagar mais. Digo isso para o Brasil, Índia, Egito, de cuja ajuda precisamos’’, afirmou.

Lula também criticou órgãos econômicos internacionais, que impõem restrições ao uso de recursos emprestados às nações pobres ou em desenvolvimento. Ele defendeu a reforma desses organismos. "Tem que mudar o FMI, o Banco Mun­­­dial. Essas instituições precisam emprestar dinheiro para gerar desenvolvimento."

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