Cachoeira com a esposa, Andressa, em resort de luxo na Bahia: condenações em primeira instância| Foto: Rodrigo Nunes/Folhapress

29 pessoas seriam indiciadas de acordo com a primeira versão do relatório da CPI do Cachoeira. Na versão final, não houve indiciados.

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Em 27 de fevereiro de 2012, o bicheiro Carlinhos Cachoeira era preso pela Polícia Federal (PF) na Operação Monte Carlo, deflagrada para desarticular a exploração de máquinas caça-níqueis em Goiás. A proximidade perigosa de Cachoeira com políticos de diferentes partidos começou a ganhar a imprensa. O país vivia a expectativa do julgamento do mensalão e, a cada nova revelação, o "CachoeiraGate", como chegou a ser chamado, parecia ganhar força suficiente para provocar estrago comparável ao escândalo de compra de votos no Congresso.

Um ano se passou e a hecatombe anunciada não se concretizou. O caso Cachoeira fez apenas uma baixa efetiva: o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), notabilizado por ser um dos principais críticos dos governos Lula e Dilma Rousseff. Demóstenes acabou cassado pelo Senado depois de ser flagrado pela PF em conversas e negociações políticas com o bicheiro. Depois de perder o mandato, Demóstenes voltou ao MP de Goiás, onde era procurador. Atualmente, ele responde a processo disciplinar movido pela Corregedoria do órgão.

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Processos

Carlos Cachoeira, protagonista do escândalo, foi solto, preso e novamente solto. Nesse meio tempo, casou e passou a lua de mel em um luxuoso resort na Bahia. Responde, em liberdade, a pelo menos seis processos em estados diferentes. Em dois deles, no Rio de Janeiro e no Distrito Federal, Cachoeira foi condenado em primeira instância.

No primeiro, a Justiça carioca condenou o bicheiro a oito anos por corrupção ativa e crime contra a Lei de Licitações. O processo refere-se ao primeiro escândalo do qual o bicheiro foi pivô em 2004. Na ocasião, um vídeo mostrava o então assessor do ex-ministro José Dirceu, Waldomiro Diniz, pedindo propina para Cachoeira, em troca de facilidades na licitação da loteria carioca.

Para os demais envolvidos, o furacão Cachoeira passou. A CPI mista criada para investigar as ligações políticas do bicheiro terminou sem relatório, depois de um longo embate entre as bancadas do governo e oposição.

"Fiquei muito decepcionado. Aquilo parecia mais um teatro do que uma comissão de inqúerito. Vi parlamentares combinando o que iam falar para a televisão", diz o senador Sérgio Souza (PMDB), integrante da comissão.

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O outro paranaense na CPI, o deputado Rubens Bueno (PPS) tem visão semelhante. "A CPI foi criada e pensada a pedido do ex- presidente Lula para vingar o mensalão. A investigação parou quando chegamos na relação de Cachoeira com financiamento de campanha", diz Bueno.

Politicamente, houve uma espécie de anistia geral na CPI. Marconi Perillo, governador tucano de Goiás, e Agnelo Queiroz, governador petista do DF, chegaram a depor na comissão. Apesar de indícios da influência de Cachoeira nos dois governos, a cobrança política morreu. As relações da construtora Delta, de quem Cachoeira era uma espécie de interlocutor, na gestão de Sérgio Cabral (PMDB) no governo do Rio de Janeiro também caíram no esquecimento. Outros três deputados federais – Rubens Otoni (PT-GO), Sandes Júnior (PP-GO) e Stepan Nercessian (PPS-RJ) – suspeitos de envolvimento com Cachoeira, tiveram representações arquivadas pelo Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. O processo contra o deputado Carlos Leréia (PSDB-GO) deve seguir para o Conselho de Ética neste ano, sem data marcada.