Escritório paranaense em Brasília: representação ganhou status de secretaria para abrigar irmão do ex-governador Requião| Foto: Wenderson Araújo/ Gazeta do Povo
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Após dois meses e meio de governo Beto Richa (PSDB), permanece a indefinição sobre o futuro do Escritório de Re­­­pre­­sentação do Paraná em Brasília. O órgão conta hoje com apenas cinco funcionários – dois motoristas, dois responsáveis pela área administrativa e outra pela limpeza. Durante as gestões anteriores, o espaço já havia mesclado momentos de atenção e abandono, sem nunca ter se firmado como centro de articulação política do estado na capital federal.

Interinamente, o comando está com Fernando Antonio de Paulo, que trabalha na estrutura há 34 anos. "É a oitava vez que eu assumo como chefe temporário", diz. Segundo ele, a demora na nomeação de um novo responsável foi comum em todos os governos recentes.A estrutura compreende dois imóveis de 525 metros quadrados cada no Setor Bancário Norte, região central de Brasília. Um deles pertence ao estado do Paraná. O outro é alugado e também abriga salas ocupadas pelo Instituto Agronômico do Paraná e pela Procuradoria-Geral do Estado.

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"O ideal é que o escritório sirva no futuro como um ponto de convergência entre o governo do estado, o governo federal, deputados e senadores do Paraná", diz o deputado Alex Canziani (PTB), coordenador da bancada paranaense nos últimos dois anos e que acaba de deixar o cargo (leia mais na matéria ao lado). Ele prevê que Beto Richa dará preferência a um técnico para comandar o órgão. Nessa linha, o preferido de parte dos parlamentares é Francisco Bruzzi, especialista em orçamento que assessora a bancada há mais de dez anos.

Já o ex-ministro e ex-deputado federal Alceni Guerra (DEM) foi procurado por Beto Richa e pediu tempo para dar uma resposta. "Refleti e disse para o governador que precisaríamos estender as atribuições do chefe do escritório para alcançarmos o resultado desejado", afirma Alceni. Para ele, será necessário resolver dois problemas – unir uma bancada em que os aliados formais de Beto Richa são minoria e atuar em parceria com um governo federal do PT.

"Para mim, seria uma missão tão difícil quanto fazer Collor e Brizola dialogarem e chegarem a um consenso sobre a Eco-92", lembra o político, que foi ministro da Saúde e da Criança no governo Collor. Alceni não disse em quanto tempo pretende responder o convite em definitivo. Procurado pela reportagem para comentar os planos do governo para o escritório, o secretário da Casa Civil (pasta à qual o escritório é submetido), Durval Amaral, não retornou as ligações.

Histórico

Durante as administrações de Roberto Requião e Orlando Pessuti, do PMDB, o órgão teve quatro chefes e funcionou basicamente como uma extensão do gabinete de governador. Entre 2003 e 2008, o escritório foi administrado pelo ex-deputado federal Nivaldo Krüger. Homem de confiança de Requião, de quem foi suplente no Senado entre 1995 e 2002, ele teve uma gestão discreta. Em 2007, organizou a única reunião de trabalho entre o governador e a bancada federal no período.

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Entre maio e outubro de 2008, o escritório foi coordenado pelo suplente de deputado federal André Zacharow (PMDB). Ele voltou para a Câmara após a morte de Max Rosenmann (PMDB) e abriu caminho para a nomeação de Eduardo Requião, em janeiro de 2009. Em 2008, o irmão do governador foi exonerado do cargo de superintendente do porto de Paranaguá devido à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que limitou o nepotismo na administração pública.

A súmula do STF, contudo, abriu brecha para que parentes de políticos eleitos pudessem ser nomeados para cargos como secretários de estado ou ministro. Para manter Eduardo no governo, Requião transformou o escritório em uma secretaria especial. Antes, ele havia recusado a proposta para assumir a Secretaria de Transportes.

Reforma

No primeiro semestre de 2009, Eduardo promoveu uma reforma estimada por ele em cerca R$ 160 mil na sede da nova secretaria. Grande parte dos recursos foi aplicada para a construção de um novo estúdio de televisão de 200 metros quadrados, com a instalação de linhas de fibra ótica para dar rapidez ao envio das reportagens para o Paraná.

Com a renúncia de Requião para concorrer ao Senado e rusgas com Pessuti, Eduardo decidiu deixar o cargo. A saída provocou o desmonte da equipe de cinco pessoas que trabalhava apenas para a Paraná Educativa na capital. A maior parte dos equipamentos do estúdio, cedidos em comodato por Eduardo à secretaria, também foi retirada, assim como móveis doados por empresas durante a reforma.

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Em junho, Pessuti mudou novamente o status do escritório, que deixou de ser uma secretaria especial e voltou a ser um escritório de representação. No lugar de Eduardo, assumiu Vitor Lacombe, que foi chefe de gabinete de todos os antecessores nomeados por Requião. Ele deixou o cargo em janeiro.

Interatividade

Como o Escritório de Representação pode ajudar ao Paraná a ter mais força política em Brasília?

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