A facção criminosa que promoveu a onda de violência em São Paulo é uma organização que arrecada R$ 9 milhões por ano, mesmo prêmio pago por um concurso da Mega Sena em fevereiro. Ela comanda 70% dos seqüestros com extorsão feitos no estado de dentro da cadeia. Na prática, todos os 140 mil detentos paulistas são de alguma forma aliciados por esta facção, que conta também com um exército de 500 mil homens fora das prisões, entre amigos e parentes prestadores de serviços. Com esse contingente, eles esperam eleger nas próximas eleições políticos para representá-los.

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Essas revelações impressionantes foram feitas pelos delegados Godofredo Bittencourt Filho e Ruy Ferraz, ambos do Departamento de Investigações do Crime Organizado de São Paulo (Deic), na sessão reservada que tiveram com integrantes da CPI que investiga o tráfico de armas no país. Foi a fita com essas informações que um funcionário do Congresso vendeu aos advogados de Marcos Camacho, o Marcola, líder da facção. A transcrição da fita foi feita pelo site Congresso em Foco.

Veja outras revelações feitas pelos delegados do Deic que mostram como funciona a organização que aterrorizou os paulistas nos últimos dias:

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Seqüestro pelo celular

Hoje, uma das armas que mais preocupam a polícia no combate ao crime organizado se chama celular. Dentro da cadeia ele é mais perigoso que dez fuzis na rua. Dos seqüestros com extorsão no estado de São Paulo, 70% são feitos de dentro da cadeia por membros dessa facção. O bandido tem seu braço fora, que fica sabendo quem é o alvo e executa.

Exército

São Paulo tem 140 mil presos. São 140 mil homens do PCC dentro da cadeia e mais 500 mil fora. Eles acionam a família todinha, cunhados, mulheres. Hoje eles estão se programando inclusive para eleiger políticos. Nós estamos tentando identificar quem são essas pessoas.

Fluxo de caixa

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Eles arrecadam dinheiro do tráfico. Têm diversos pontos de venda entorpecentes. Também arrecadam R$ 50 dos sócios que estão presos ou R$ 550 dos associados que estão nas ruas. Isso gera uma receita de R$ 750 mil por mês(ou R$ R$ 9 milhões por ano). Parte do dinheiro vai para empréstimos a grupos que praticam crimes. Eles fazem empréstimos e depois cobram juros e correção monetária. Eles tinham um tesoureiro único, que registrava as entradas e as saídas num livro. Mas nós interceptamos. Hoje são quatro ou cinco tesoureiros.

Sedex

Eles tentaram fazer o ingresso de armas pesadas nos presídios via Sedex. Fizeram a tentativa através dos Correios. Isso só foi descoberto por acaso. A caixa chegou a entrar na cadeia. Mas uma fuzil muito pesado rompeu o fundo e caiu. Recentemente mandaram pelos Correios os 60 televisores novos adquiridos em Avaré. Fora depositados no correio local.

Adovogados do crime

Eles pagam para que as pessoas se formem em Direito. Pagam a formatura. Estava tudo registrado no livro caixa.

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Fuga de Avaré

Houve uma tentativa de resgatar Marcola do presídio de Avaré. Eles atiravam de fora do presídio. Nós apreendemos com eles uma base lançadora de mísseis, manufaturada de forma caseira. Havia diversos fuzis e outras armas. Marcola estava numa cela que não era para ele. Ele estava lá ilegalmente. As grades estavam cerradas. Então percebemos que a fuga era para ele.

Liderança

O principal responsável por isso é o próprio Marcola. É um camarada que se dedica à leitura de todo aparato leninista. Todos os livros relacionados a Lenin e Trotsky ele leu. O livro de cabeceira dele é Arte da Guerra. Hoje ele tem 35 anos. Já roubou R$ 9 milhões de uma empresa de transporte de valores com a ajuda do irmão. Morou um ano no Paraguai e se especializou no crime.

Representantes na cidade

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Marcola dividiu a capital em quatro áreas de influência. Tem um representante em cada área. Determina como vão ser comercializados os entorpecentes, quando o crime é cometido e quanto cabe à facção. Ele repassa as ordens a quem o visita ou pelo advogado. Há 18 advogados identificados trabalhando para eles. Ele nunca passa as ordens por celular.

Erro do Estado

Houve uma época em que o governo do estado cometeu um erro. Pegou a liderança dessa facção e os bandidos mais perigosos e os redistribuiu pelo Brasil, entre Brasília, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Bahia. Isso provocou um acasalamento com outras facções criminosas.

Interatividade

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