Dizendo ter "cumprido um ciclo", o ministro da Cultura, Gilberto Gil, anunciou ontem seu afastamento do governo federal, após reunião de uma hora no gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele alegou temer que o equilíbrio entre o artista e o homem de Estado pudesse "ficar crítico".
Numa entrevista de 21 minutos em que mesclou frases saudosas e elogios ao presidente Lula, Gil anunciou o próprio substituto. Ele disse que Juca Ferreira, atual secretário-executivo, assumirá a pasta, o que não foi confirmado oficialmente pelo Palácio do Planalto até o fechamento desta edição.
É a terceira vez que o ministro pede para deixar o cargo nas outras duas, foi convencido pelo presidente a ficar. "Eu disse a Lula que estava dois a zero para ele. Hoje (ontem), eu fiz um gol", afirmou, após cinco anos e meio à frente do ministério. Cantor e compositor, ele vinha sendo criticado por supostamente negligenciar o ministério em favor da música. Gil disse que a opinião da esposa, Flora, pesou na decisão de sair da pasta.
O ex-ministro negou ter ficado incomodado com as cobranças, mas reconheceu que a "dose inicial" de 80% de dedicação ao ministério e 20% aos projetos pessoais não vinha sendo cumprida. "Essa proporção foi se desequilibrando um pouco, mas não foi nada absurdo", afirmou o ministro, que neste ano tirou os 30 dias regulares de férias e outros 40 dias de licença.
Ao fazer um balanço de sua gestão, a única crítica a ele mesmo e a Lula foi não ter conseguido um orçamento "mais generoso" do Ministério da Cultura. "As dificuldades todas com as contas governamentais, o superávit e essas coisas todas que são conhecidas de todo mundo fizeram com que não atingíssemos a meta de 1% (do Orçamento Geral da União) que era o desejado por nós e o recomendado pela Unesco."
Horas antes de anunciar seu desligamento do ministério, Gil havia criticado a Comissão de Ética Pública, vinculada à Presidência. O ministro reclamou que apenas no início do primeiro mandato pôde "misturar" seus compromissos privados, como artista, com os oficiais, como ministro, mesmo quando a atividade artística não trazia nenhum ônus para o Estado. A comissão, posteriormente, proibiu o acúmulo de funções.
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