Primeiros policiais se apresentaram às 13 horas deste sábado.| Foto: Antônio More / Gazeta do Povo

O governo do estado iniciou o cerco à Assembleia Legislativa do Paraná com um cordão de isolamento de policiais militares a partir das 13 horas deste sábado (25). O objetivo é garantir a votação de dois projetos do programa de ajuste fiscal nesta semana, o que levou os professores a decidirem retomar a greve. O tamanho da área isolada e a distribuição dos policiais ainda estavam sendo definidos entre os comandantes da operação, mas pode chegar a quatro quadras ao redor do prédio da Assembleia e do Palácio Iguaçu.

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A intenção do Executivo é isolar o Centro Cívico até quinta-feira (30), quando as propostas já tiverem sido aprovadas. Sem contar com agentes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), a Secretaria da Segurança Pública (Sesp) vai empregar quase 900 policiais por dia, conforme a escala de trabalho à qual a reportagem teve acesso. O efetivo é praticamente o dobro do aplicado em Curitiba diariamente.

Professores decidem retomar greve na segunda-feira

Em assembleia realizada na manhã deste sábado (25) em Londrina, os professores da rede estadual de ensino decidiram retomar a greve, por discordarem da proposta do governo que reformula a previdência estadual. A decisão vale a partir de segunda-feira (27), e a expectativa é que 50 mil servidores venham do interior para Curitiba durante a semana. “Vamos enfrentar todo esse processo numa defesa legítima da nossa previdência”, afirmou Marlei Fernandes, uma das coordenadoras do Fórum das Entidades Sindicais do Paraná.

Por meio da assessoria, o governo informou já ter comunicado diretores de escolas e chefes de núcleo da Educação a anotarem as faltas dos professores para posterior desconto em folha. Disse também que já entrou na Justiça pedindo que a greve seja declarada abusiva e ilegal. O Executivo defendeu que o projeto da previdência está em discussão há mais de 50 dias e que todos os itens acordados com o funcionalismo estão sendo cumpridos. (ELG)

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Foram convocados policiais de todos os batalhões da capital e de alguns da região metropolitana [12.º, 13.º, 17.º, 20.º, 22.º e 23.º]. O regimento de polícia montada, Patrulha Escolar, ajudantes de ordem que trabalham na segurança de autoridades, alunos da Academia do Guatupê, policiais da Força Ambiental e do Departamento de Apoio Logístico da PM também participarão. Estão previstos ainda agentes da Ronda Ostensiva Tático Motorizadas (Rotam) .

As equipes foram divididas em cinco, chamadas de A, B, C, D e E na escala. Cada equipe tem 225, 224, 217, 225 e 229 policiais, respectivamente. No total, serão 1.120 policiais, diariamente, em quatro turnos. Eles se apresentaram na antiga sede da Companhia Independente do Palácio Iguaçu, em frente à Sesp. Um oficial ouvido pela reportagem, que preferiu não se identificar, classificou a escala como insana. “É muito maior do que o aplicado na cidade diariamente.” Ele afirmou ainda que esse policiamento escancara a decisão política e não técnica para definir a estratégia da ação. “Dentro de qualquer doutrina da segurança, quem está no teatro de operações políticas não pode decidir como vai atuar a polícia. A pessoa jamais pode estar envolvida emocionalmente no fato.”

O governo do estado informou que recebeu um pedido de reforço de segurança da Presidência da Assembleia e determinou à Sesp que atendesse à reivindicação. O objetivo é impedir a repetição das cenas de invasão do plenário e o cerceamento do funcionamento democrático do Legislativo.

Ocupação

Na primeira tentativa de votação do “pacotaço“, em fevereiro, o plenário da Assembleia foi tomado por servidores, que permaneceram lá por três dias. Sem ter como voltar ao plenário, os deputados tentaram fazer a votação no restaurante da Casa. Mas, novamente, os manifestantes tomaram a Assembleia – com receio de um confronto mais grave, a sessão foi suspensa e o governo retirou as propostas. O Legislativo, porém, já tem em mãos uma liminar judicial para evitar que a ocupação ocorra novamente, com multa diária estipulada em R$ 100 mil aos sindicatos em caso de descumprimento.

Os dois projetos que serão votados são reformulações das versões originais. Um deles prevê várias medidas, como o refinanciamento de dívidas de ICMS e a venda delas no mercado financeiro. O outro é o que muda a forma de pagar inativos da Paranaprevidência, transferindo o pagamento mensal de 33,5 mil aposentados acima de 73 anos para o Fundo Previdenciário. A migração fará com que o Executivo não precise pagar esses benefícios com dinheiro do tesouro. A economia do governo será de R$ 1,5 bilhão ao ano.

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