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Análise

Governo não mostrou até agora o “jeito novo” de administrar

Segundo especialistas, apesar de algumas novidades no governo de Beto Richa, o que se vê nos primeiros dias de mandato é muito parecido com gestões anteriores

  • Rogerio Waldrigues Galindo
Beto Richa: transferência de presos foi anunciada, mas pode demorar anos. |
Beto Richa: transferência de presos foi anunciada, mas pode demorar anos.
 
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Durante toda a campanha eleitoral do ano passado, o então candidato Beto Richa (PSDB) afirmou que implantaria no Paraná, caso vencesse a eleição, um “novo jeito de governar”. Foi uma espécie de bordão repetido em todas as oportunidades. O modelo seria construído com base no diálogo, na eficiência e também em novas práticas políticas, que evitassem os vícios de governos passados.

Passada a fase de formação do secretariado, iniciada a convocação do segundo escalão e dado o pontapé inicial do mandato, a Gazeta do Povo perguntou a cientistas políticos se o novo governador realmente inovou até o momento – ou se está fazendo mais do mesmo do que já vinha sendo visto em outras administrações. A resposta dos especialistas é que, pelo que se pode ver até aqui, o governo de Beto traz algumas novidades, mas deve ser mais parecido com os anteriores do que a propaganda fazia pensar.

Entre os métodos que foram mantidos pelo novo governo os cientistas políticos destacam a maneira como foram recrutados os integrantes do primeiro escalão. Práticas como o nepotismo e a cooptação de partidos políticos por meio da distribuição de cargos ocorreram como em todos os mandatos anteriores, sem nem mesmo haver diminuição.

“O jeito novo de governar, seja o que for, não parece que vá mudar o tipo de relação entre o Executivo e os partidos políticos”, afirma Fabrício Tomio, professor de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR). “Os secretários foram escolhidos para montar um governo de coalizão que garanta ampla base para o governador na Assembleia, mesmo que às vezes passando por cima dos partidos”, diz, lembrando que Richa deu ao PMDB, antigo rival de campanha, a Secretaria do Trabalho, esperando conseguir apoio da bancada a seu governo.

Nomeações

Para Luiz Domingos da Costa, professor do Grupo Educacional Uninter, do ponto de vista da forma de operação do sistema político, o governo que se inicia não difere em nada dos mandatos de Roberto Requião e de Jaime Lerner. “É a distribuição de cargos em busca da conquista da maioria”, diz. Segundo o professor, montar uma grande coalizão é necessário para garantir previsibilidade na Assembleia. “O que se critica é a maneira fisiológica como isso é feito, sem base em ideias”, diz.

A nomeação de parentes do governador para cargos de primeiro escalão também mostra a permanência de hábitos antigos no governo. “Até é compreensível a escolha de secretários por critérios políticos, para atrair partidos. Tem sua lógica. Já a escolha de parentes para ocupar secretarias é mais difícil de defender”, afirma Carlos Luiz Stra­­pazzon, professor de Direito Constitucional e Ciência Política. Beto nomeou a esposa, Fernanda, para a Secretaria da Família e o irmão José Richa Filho para a pasta da Infraestrutura e Logística.

Os cientistas políticos também criticam a indicação de pessoas acusadas de faltas graves para postos no governo. É o caso de Ezequias Moreira, pivô do caso da “sogra fantasma”, que será responsável por uma diretoria da Sanepar. Assessor de Beto, Ezequias manteve a sogra recebendo salário da Assembleia mesmo sem trabalhar lá. Ele devolveu o dinheiro aos cofres públicos. O filho do deputado Nelson Justus, presidente da Assembleia, Nelson Cordeiro Justus, investigado por improbidade administrativa pelo Ministério Público, também ganhou um cargo na Com­­panhia da Habitação do Paraná (Cohapar).

Para Strapazzon, todas essas nomeações são incoerentes com o estilo de governo que Richa prometia, baseado na eficiência mais do que em benefícios políticos para grupos ligados ao governo. “O governador sabe que o estilo mais próximo da iniciativa privada que ele prometeu não pode se estender a todo o governo, já que é preciso fazer concessões políticas. O que se percebe é que ele escolheu áreas que considera centrais para nomear técnicos, esperando resultados que sustentem seu governo. Nos outros casos, atendeu aos interesses dos políticos”, diz.

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