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Confira a retrospectiva de 100 dias de governo Beto Richa |
Confira a retrospectiva de 100 dias de governo Beto Richa| Foto:

Herança

Requião isentou microempresas

O discurso de "herança maldita" é muito usado por governantes que sucedem opositores. Roberto Requião (PMDB) seguiu o mesmo caminho em 2003. Na época, ele anunciou a suspensão do pagamento de R$ 100 milhões em dívidas de um total de R$ 250 milhões deixadas pelo antecessor. Requião dava declarações quase diárias sobre os problemas encontrados e cancelou vários contratos.

Apesar de alegar dificuldades financeiras, Requião anunciou uma medida de impacto e bastante elogiada: a isenção de ICMS para as microempresas e abatimento para as demais, que começou a vigorar já no segundo mês de governo. "Ele era um político mais experiente, já havia governado o Paraná", diz Ricardo Oliveira, da UFPR. Beto Richa lançou o programa Paraná Competitivo, que demorou para sair do papel (leia mais no dia 24 de fevereiro no cronograma).

"Richa foi menos espalhafatoso do que Requião, até mesmo na questão da moratória. Ele não fez um estrago tão grande, mas, por outro lado, não fez nada de muito impactante", acrescenta Clécio Luiz Chiamulera, do Ibef-PR.

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O "novo jeito de governar", bordão utilizado por Beto Richa (PSDB) durante a campanha eleitoral de 2010, ainda não foi implantado na prática. Nos primeiros 100 dias à frente do governo do Paraná, o tucano manteve algumas práticas condenáveis da gestão anterior – como o nepotismo e a indicação de aliados políticos – e ainda não lançou nenhuma política pública de impacto. O início da gestão foi marcado pelas reclamações da "herança maldita" deixada pelos antecessores – o que em parte é verdade – e o debate antecipado da eleição municipal de 2011. As ações mais efetivas ocorreram apenas como resposta à tragédia ambiental que devastou o litoral do Paraná em março.

Esse balanço foi feito à Gazeta do Povo por cientistas políticos e advogados que acompanham o Executivo paranaense de perto. Segundo eles, apesar de 100 dias serem poucos para avaliar um governante, o período trouxe decepção porque havia muita expectativa com a chegada do tucano ao Palácio Iguaçu. "A juventude do governador que, para efeitos de campanha foi um elemento positivo, não se reverteu em um estilo de governar mais inovador e ousado. Pelo contrário, os 100 dias de Beto Richa trouxeram traços conservadores e até mesmo de atitudes em negação, já que ancorado no bordão que recebeu do governo anterior uma ‘herança maldita’", afirma Celene Tonella, coordenadora do mestrado de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Maringá (UEM).

"Beto Richa manteve a tradição central do nepotismo na política paranaense. Nomeou a mulher e o irmão para o primeiro escalão, tem um primo no Detran e o filho assumiu uma secretaria na prefeitura de Curitiba. Para quem esperava um modo novo de governar, não houve mudanças", afirma o cientista político Ricardo Oliveira, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). O professor também questiona outras nomeações, como a de Cassio Taniguchi na Secretaria do Planejamento e a do filho do deputado Nelson Justus em uma diretoria da Cohapar. Mas ele pondera que há outros bons nomes no secretariado, que podem fazer um trabalho relevante.

Helicópteros

Segundo as fontes ouvidas pela reportagem, o balanço é negativo porque também não houve apresentação de nenhuma política pública de impacto. A gestão de Beto Richa vem reiterando que não há dinheiro em caixa e responsabiliza os antecessores (Orlando Pessuti e Roberto Requião) pela baixa capacidade de investimento. Nem Richa nem seus secretários deram detalhes sobre os problemas financeiros até agora.

"A situação orçamentária é apertada. Mas enquanto a população sofre o ajuste fiscal, o governo aluga helicópteros e aeronaves sem licitação por R$ 2 milhões", acrescenta Oliveira. Os veículos foram usados para locomoção de Richa, sob o argumento de que a frota antiga estava sucateada.

Para o cientista político Adriano Codato, também da UFPR, é difícil avaliar qualquer governo, porque as promessas feitas em campanha são vazias. Mas, para ele, independentemente dos compromissos firmados, o comportamento do governador deixou a desejar. "Houve muito mais preocupação com o pequeno mundo da política. Um dos maiores debates foi sobre quem o Beto Richa vai apoiar na eleição de prefeito de 2012. Isso foi decepcionante." Para ele, o governador passou a maior parte do tempo "apagando incêndios" e não conseguiu propor nada novo. "Ele ficou respondendo aos problemas localizados da administração. Se for para ficar reclamando de falta de dinheiro, passam-se quatro anos facilmente", observou.

Investimentos

Na área econômica, um dos pontos elogiados da atual gestão é a iniciativa para liberar investimentos de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs). A medida, entretanto, já havia sido iniciada na gestão de Orlando Pessuti (PMDB). "O começo de governo foi muito tímido, sem nenhum lançamento de impacto. O que houve foi uma diminuição no limite de compensação de créditos de ICMS, que até é bom para o caixa do governo, mas ruim para as empresas", explica Clécio Luiz Chiamulera, vice-presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças, seccional Paraná (Ibef-PR). Ele pondera que as expectativas com o novo governador são boas.

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