A Delegacia de Realeza, Sudoeste do Paraná, deve terminar em 10 dias o inquérito que investiga uma suposta coação de testemunhas por parte de um filho (André Willian Gaievski) e um advogado (Fernandes da Silva Borges) do ex-assessor da Casa Civil Eduardo Gaievski, preso suspeito de estupro. Os dois foram presos em flagrante em um carro com duas mulheres que testemunharam contra o assessor no processo que culminou na prisão de Gaievski, que é ex-prefeito de Realeza. Borges era secretário de administração de Realeza. Segundo a prefeitura, ele pediu afastamento do cargo no mês passado.

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O delegado da cidade deve, até o dia 3 de novembro, coletar provas e depoimentos e encaminhar o material ao Ministério Público (MP), que depois oferece, ou não, denúncia à Justiça sobre a possível coação de testemunhas. O MP investigava a possível intimidação de testemunhas há pelo menos um mês.

Como André e Borges foram presos em flagrante, a princípio eles permanecerão detidos até o fim das investigações – a menos que consigam um habeas corpus para responder o processo em liberdade.

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O titular em exercício da Delegacia de Realeza, Sandro Spadotto Barros, contou que já ouviu as duas testemunhas que estavam no carro com a dupla presa. Ambas contaram uma história parecida, segundo ele. Na versão delas, as duas tinham recebido R$ 1 mil cada uma para assinar uma declaração na qual elas mudavam a versão inicialmente dada em depoimentos do caso de Gaievski.

"A princípio, elas disseram a verdade, eu acreditei nelas. As duas foram uníssonas, contaram a mesma história, são bem claras e tranquilas. Nós vamos investigar agora por que elas pegaram o dinheiro. Sabemos que são pessoas bem humildes, mas vamos apurar todos os fatos", disse o delegado.

Conforme Barros, as duas testemunhas também disseram que receberiam um salário mensal se assinassem a suposta declaração. Elas foram demitidas recentemente da Prefeitura de Realeza, segundo o delegado, e estavam sem emprego. Ambas disseram que estavam a caminho de um cartório em Flor da Serra, na zona rural de Realeza, onde seria registrado o documento.

Outro lado

A reportagem tentou, de diversas maneiras, entrar em contato com a defesa de André Willian Gaievski e Fernandes da Silva Borges nesta quarta-feira (24), porém, não obteve resposta até as 16h.

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Relembre o caso

Em setembro, matéria da revista Veja apontou que Gaievski, mesmo preso, teria tentado intimidar testemunhas. Segundo a publicação, Gaievski teria trocado uma série de e-mails com um dos advogados que o representa, Rafael Seben, no início deste mês. As mensagens fariam referências a quais vítimas seriam abordadas para retirar as acusações, com a ajuda da prefeitura de Realeza, de acordo com a revista.

Ex-prefeito de Realeza, Gaievski responde a 17 denúncias por estupro de vulnerável (menores de 14 anos), estupro e assédio sexual, entre 2008 e 2009. Ele foi exonerado pela ministra Gleisi Hoffmann logo depois de ter a prisão preventiva decretada.