Mensalão
Arruda diz que ajuda a políticos ocorreu "dentro da lei"
O ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda divulgou uma nota ontem em que afirma, por meio dos advogados, não ter feito acusações contra a cúpula do DEM na entrevista publicada quinta-feira no site da revista Veja. Na entrevista ao periódico, ele diz que ajudou financeiramente a cúpula do DEM, partido do qual era filiado até dezembro de 2009, quando estourou o escândalo de corrupção no DF.
Na nota, Arruda diz "que jamais admitiu qualquer ato de corrupção e que todas as ajudas destinadas a outros políticos ocorreram, sempre, através do partido e rigorosamente dentro da lei".
Segundo o site da revista Veja, Arruda mencionou na entrevista, feita em setembro de 2010, ajuda ao presidente do DEM, José Agripino Maia (RN), ao ex-presidente da legenda Rodrigo Maia (RJ), e outras lideranças do partido, entre eles o líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA), o senador Demóstenes Torres (GO), o ex-senador Marco Maciel (PE) e o deputado Ronaldo Caiado (GO). Políticos do PSDB e o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) também teriam sido citados pelo ex-governador.
Depois de cinco meses de articulações, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, anunciou ontem o desligamento do DEM e a criação de um novo partido, batizado de PSD (Partido Social Democrático), com o objetivo de se cacifar politicamente para disputar a eleição para o governo de São Paulo em 2014.
Ele telefonou para o presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), para comunicá-lo que decidiu deixar a sigla. "Está sacramentado, ele fez a comunicação oficial. Agora, o Kassab está fora do DEM. Esse é um assunto encerrado", disse Agripino. O senador afirmou que Kassab vai encaminhar formalmente a carta de desfiliação ao partido, mas a sua saída já está consolidada com a comunicação oficial por telefone.
O anúncio despertou certa desconfiança no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, que travou uma queda de braço tácita com o prefeito nos últimos dias para evitar que Kassab engordasse a nova legenda com aliados do governador Geraldo Alckmin (PSDB).
O lançamento oficial do novo partido será na Assembleia Legislativa paulista, na segunda-feira, às 12h30. Na ocasião, será feita a leitura de manifesto de fundação da sigla. O vice-governador paulista Guilherme Afif Domingos e o secretário de Negócios Jurídicos da prefeitura paulistana, Cláudio Lembo, saem do DEM para acompanhar Kassab.
Embora o prefeito e Afif defendam a manutenção da aliança com o PSDB no novo partido, aliados de Alckmin veem na mudança articulação de Kassab para entrar na base aliada da presidente Dilma Rousseff. Alguns defendem que a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, de Afif, seja mantida com o DEM e, portanto, retirada do vice.
Ontem, os articuladores políticos de Alckmin estavam de olho nos vereadores tucanos. Estava previsto um jantar deles com Kassab. Deram sinais de que podem sair do PSDB para acompanhar o prefeito os vereadores Ricardo Teixeira, Juscelino Gadelha, Gilberto Natalini, Claudinho de Souza e Adolfo Quintas. Desses cinco nomes, a saída de Teixeira é dada como certa.
O desafio de Kassab nesta reta final é vencer a resistência de aliados e angariar quadros para a nova legenda. Ontem, ele telefonou para vários parlamentares e prefeitos. No domingo, embarca para Salvador, onde se encontra com potenciais integrantes do PSD.
Nas contas do seu grupo, migram para a nova legenda nas próximas três semanas cerca de dez deputados federais por São Paulo. Também são esperados os prefeitos de Itu, Herculano Passos Júnior (PV); de Mogi das Cruzes, Marco Bertaiolli (DEM); e de Ribeirão Preto, Dárcy Vera (DEM) apesar de contarem com a vinda da prefeita, ela tem resistido. O deputado Eli Corrêa Filho (DEM), por exemplo, disse ainda estar indeciso e que o prefeito sugeriu que ele pensasse no fim de semana.
Nos últimos cinco meses, Kassab manteve conversas com o PMDB e o PSB. Decidiu criar a nova legenda como uma manobra para sair do DEM sem ter o mandato questionado na Justiça a lei permite mudança sem perda de mandato por infidelidade partidária desde que seja migração para uma nova legenda.
A ideia inicial era criar o partido para fundi-lo com o PMDB. Depois, veio o convite do PSB. O receio de como a Justiça interpretaria a articulação esfriou a negociação. A discussão foi empurrada para depois de 2012.
Kassab entrou no PFL em 2005. Em 2007, a sigla virou o DEM. Antes disso, ele foi do PL.
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