Antônio Figueiredo Basto defende o doleiro Alberto Youssef desde o início da  Lava Jato. | Hugo Harada/Gazeta do Povo
Antônio Figueiredo Basto defende o doleiro Alberto Youssef desde o início da Lava Jato.| Foto: Hugo Harada/Gazeta do Povo

Deflagrada em março de 2014, a Operação Lava Jato já colocou atrás das grades empresários, políticos e funcionários públicos dos mais altos escalões da República. Mas apesar da repercussão, há quem acredite que a operação não é capaz de mudar os rumos do país no combate à corrupção.

Advogado de um dos principais réus da Lava Jato, Antônio Figueiredo Basto acredita que a Lava Jato não é a solução para o combate à crimes de colarinho branco. “Temos políticos vaidosos e corruptos que geraram esse estado de coisas que está aí. A Lava Jato não vai mudar”, opina o advogado. “Nós temos uma CPI que está tentando derrubar uma operação. Então não precisa dizer mais nada”, completa.

Apesar de acreditar que a Lava Jato não pode mudar os rumos do país, Basto vê com otimismo os rumos da operação. “As instituições estão sendo duramente testadas e estão resistindo bravamente. O papel da imprensa tem sido decisivo”, afirmou o advogado.

Basto defende o pivô do escândalo, o doleiro Alberto Youssef, desde o início da operação. Recentemente, assumiu também a defesa do ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, do ex-vereador Alexandre Romano, do executivo Julio Camargo e do dono da UTC, Ricardo Pessoa.

Competência

De acordo com Basto, a questão da competência do juiz federal Sergio Moro para julgar os casos relativos à Lava Jato ainda pode voltar à tona. Recentemente o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, relator da Lava Jato, recusou analisar as provas colhidas contra a senadora Gleisi Hoffmann, alegando que o caso não teria conexão direta com a Petrobras. Há um temor por parte dos investigadores de que a decisão impacte nos processos que correm na Justiça Federal de Curitiba.

“Eu acho que essa questão da competência é uma das grandes teses que nós sustentamos desde o início. Eu sempre tive sérias dúvidas em relação à competência da 13ª Vara para a própria Lava Jato”, diz Basto. “A Lava Jato não podia estar sendo aqui, ela tinha que estar em Pernambuco, no Rio de Janeiro. O problema é que ela não aconteceria se estivesse nessas cidades”, pondera o advogado.

Apesar da discussão referente à competência, o advogado diz não acreditar que a operação possa ser derrubada. “Acho que a Lava Jato não acaba. O Supremo já deu sinais de que a Lava Jato vai seguir quando o próprio ministro determinou diligências de busca contra senadores”, exemplifica.

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