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Michel Temer disse que nunca teve relações com a Camargo Corrêa | Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
Michel Temer disse que nunca teve relações com a Camargo Corrêa| Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

São Paulo - O nome do deputado Michel Temer (PMDB-SP), presidente da Câmara Federal e do PMDB, aparece no arquivo secreto da construtora Camargo Corrêa – documento com 54 planilhas que sugerem contabilidade paralela da empreiteira. Segundo investigação da Polícia Federal, esse recursos "paralelos" podem ter abastecido o caixa dois eleitoral de vários candidatos. Temer é citado 21 vezes, entre 9 de outubro de 1996 e 28 de dezembro de 1998, ao lado de quantias que somam US$ 345 mil.

O documento que aponta o parlamentar foi recolhido pela Polícia Federal (PF), durante a Operação Castelo de Areia, na residência de Pietro Bianchi, executivo da construtora. A busca, realizada no dia 25 de abril, foi autorizada pelo juiz Fausto De Sanctis. As planilhas constam dos autos da Castelo de Areia, missão integrada da PF e Procuradoria da República.

Temer classificou de "safadeza" a denúncia. O deputado negou ter recebido qualquer doação da construtora. "Acho uma indignidade. Se eu pudesse expressar meu grito fantástico, a minha indignação, minha revolta, com este fato, eu o faria. Eu levo na piada isso. É safadeza, sem dúvida alguma", afirmou.

O deputado disse que nunca teve relações com a Camargo Corrêa. O papel em poder da PF, segundo Temer, está com a grafia incorreta do seu nome – o que mostra que não tinha proximidade com a construtora.

As fichas encontradas em poder de Bianchi nominam autoridades, administradores e servidores de tribunais de contas, prefeituras, governos estaduais e autarquias que teriam sido destinatários de recursos da Camargo Corrêa. Políticos teriam recebido "por fora" para campanhas eleitorais.

Na Castelo de Areia, a PF mira crimes financeiros e doleiros de suposto esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que envolve executivos da Camargo Corrêa. A PF juntou as planilhas de pagamentos aos autos da Castelo de Areia e aguarda agora uma orientação da Justiça. Nomes que constam da lista desfrutam de prerrogativa de foro perante o Supremo Tribunal Federal (STF). Nesses casos, a PF só pode investigar por ordem do STF.

Na contabilidade da empreiteira recolhida pela PF, todos aqueles que teriam recebido dinheiro são classificados como "clientes". Os pagamentos teriam sido efetuados em dólares.

Os três primeiros registros em nome de Temer são de 9 de outubro, 12 de novembro e 23 de dezembro de 1996 – nessas datas a empreiteira teria repassado o total de US$ 50 mil, assim distribuídos: US$ 30 mil no primeiro lançamento, US$ 10 mil no segundo e outros US$ 10 mil no último.

Em 1997, consta da planilha da página 30 apreendida pela PF, foram realizadas oito anotações relativas a Temer. Na ocasião ele exercia pela primeira vez o cargo de presidente da Câmara. Os registros começaram em 25 de março e se sucederam até 23 de dezembro. No primeiro destaque o valor é US$ 5 mil; nos demais, US$ 10 mil por vez, chegando ao total de US$ 75 mil, ou R$ 86.375 – atualizada pelo IPCA essa quantia vai a R$ 181.070,85.

Em 1998, os registros recolhidos pelos agentes federais começam em 16 de fevereiro e vão até 28 de dezembro, num total de 10 apontamentos que somam US$ 220 mil. A parcela mais elevada foi a de 25 de agosto no valor de US$ 90 mil, ou R$ 226.168,51 atualizados.

A Camargo Corrêa informa que desconhece o documento. Por seus advogados, os criminalistas Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça, e Celso Villardi, a construtora alega que não teve acesso às planilhas que a PF encontrou na casa de seu executivo.

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