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Acusação

Tuma Júnior diz que ex-presidente foi informante da ditadura militar

O ex-secretário Nacional de Justiça Romeu Tuma Júnior disse à revista Veja ter certeza de que a morte do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel (PT), em 2002, foi um crime de encomenda e que os empresários que pagavam propina ao PT na cidade não queriam matá-lo, mas "assumiram o risco". "Era para ser um sequestro, mas virou um homicídio", disse Tuma, que na época era o delegado encarregado de investigar o caso. O ex-secretário afirma que Gilberto Carvalho confessou a ele, aos prantos, que o dinheiro desviado na prefeitura de Santo André era entregue para o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, para ajudar o PT nas eleições. E que Daniel não sabia dos desvios.

Tuma Júnior também diz no livro que o ex-presidente Lula foi informante do Dops (Departamento de Ordem e Política Social) quando sindicalista. O órgão de repressão na ditadura militar em São Paulo era dirigido pelo pai do autor, o delegado Romeu Tuma, com quem Tuma Júnior trabalhava na época.

Segundo Tuma Júnior, Lula teria dado informações ao Dops que ajudavam a evitar choques com a polícia. Perguntado sobre se teria provas dessa colaboração de Lula com o Dops, diz: "Não excluo a possibilidade de algum relatório do Dops da época registrar informações atribuídas a um certo informante de codinome Barba. Era esse o codinome dele."

Agência O Globo

Em livro a ser lançado nesta semana, o ex-secretário nacional de Justiça Romeu Tuma Júnior afirma que havia no Ministério da Justiça, durante o segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma "fábrica de dossiês" contra adversários políticos do PT. A informação é de reportagem publicada pela revista Veja desta semana.

Tuma Júnior comandou a Secretaria Nacional de Justiça, ligada ao Ministério da Justiça, de 2007 a 2010, mas foi demitido em junho de 2010 em meio a acusações de envolvimento com o chinês Li Kwok Kwen. Conhecido como Paulo Li, ele foi preso pela Polícia Federal em São Paulo acusado de ser chefe da máfia chinesa na capital paulista.

Em seu livro, intitulado "Assassinato de Reputações – Um crime de estado" (Editora Topbooks), Tuma Júnior fala de pedidos que teria recebido de superiores para "esquentar" dossiês contra políticos da oposição como o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e o então senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). Menciona também uma suposta conta do mensalão nas Ilhas Cayman e fala do suposto envolvimento de militantes do PT na morte do ex-prefeito de Santo André (SP) Celso Daniel.

À Veja, Tuma Júnior diz que, em 2010, o então ministro da Justiça Luiz Paulo Barreto lhe entregou um dossiê apócrifo sobre supostas contas no exterior de Perillo e ordenou a abertura de uma investigação, que teria sido pedida por Gilberto Carvalho, à época chefe de gabinete do presidente Lula. Tuma também relata que, em janeiro de 2009, o então senador Aloizio Mercadante (PT) entregou a ele um pendrive contendo um dossiê apócrifo e pediu que ele investigasse Jereissati. Tuma Júnior afirma ainda que o departamento foi usado para obter informações sobre despesas sigilosas da ex-primeira-dama Ruth Cardoso.

A revista afirma que o livro apresenta documentos que mostram que o governo se mobilizou para impedir uma investigação que identificou uma conta secreta nas Ilhas Cayman que supostamente receberia recursos do mensalão. "Eu descobri a conta do mensalão nas Ilhas Cayman, mas o governo e a Polícia Federal não quiseram investigar", disse Tuma Júnior à revista.

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