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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu neste domingo (10) a gestão do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Na semana passada, ele esteve reunido duas vezes com o administrador da capital para discutir o impacto que medidas como o aumento do IPTU e a prisão de fiscais acusados de cobrar propina podem ter nas campanhas eleitorais do PT em 2014.

"As pessoas podem cometer alguns equívocos porque acham que o Haddad teve confusão com as manifestações de junho e o aumento do IPTU. Mas ele ainda tem três anos de mandato, e eu conheço o Haddad. Ele vai fazer uma grande administração", disse o ex-presidente em São Bernardo do Campo (SP), ao chegar para votar na eleição interna do PT, que vai definir o comando do partido para os próximos quatro anos.

Durante os protestos de junho, Haddad chegou a dizer que não iria voltar atrás no aumento da tarifa, de R$ 3 para R$ 3,20, mas depois revogou o aumento. Em outubro, a prefeitura anunciou o reajuste do IPTU na cidade de São Paulo, que poderá chegar no ano que vem a até 30% para os imóveis residenciais e 45% para outros tipos, como comércio ou indústria.

Lula afirmou que Haddad está fazendo "o que o prefeito deve fazer" na investigação da quadrilha acusada de ter desviado R$ 500 milhões em fraudes na cobrança do Imposto sobre Serviços (ISS).

A apuração atinge servidores ligados ao ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), cujo partido deve apoiar a candidatura da presidente Dilma Rousseff à reeleição. A possibilidade de danos ao aliado preocupa o PT, que também teme que medidas impopulares do atual prefeito, como o reajuste do IPTU, prejudiquem a campanha do ministro petista Alexandre Padilha (Saúde) ao governo do Estado em 2014.

Eleição interna

Lula votou na eleição do PT, chamada de PED (Processo de Eleições Diretas), acompanhado por Padilha, pelo prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, e pelo ex-prefeito de Osasco Emidio de Souza, seu candidato à presidência estadual do partido em São Paulo.

Ele destacou a importância de o PT ter "uma direção consolidada e comprometida com o governo da presidenta Dilma" e com "vontade política" para levar o partido a conquistar o governo paulista no próximo ano.

"Acho que São Paulo merece um governo do PT, para a gente mostrar que São Paulo pode ser muito melhor e fazer muito mais", declarou.

O ex-presidente articulou para garantir a recondução do presidente nacional do PT, Rui Falcão, que deve coordenar a campanha de Dilma à reeleição, e diminuir o espaço das correntes da chamada "esquerda petista", que criticam, por exemplo, a aliança nacional com o PMDB e medidas do governo federal como o leilão do campo do pré-sal de Libra.

Lula afirmou ainda que o PT precisa "voltar a fazer um discurso para a juventude" e que esse será um dos desafios da direção do partido ao lado da organização para o pleito de 2014, que ele chamou de "uma eleição histórica para o PT".

"Temos chance de disputar eleição em vários Estados, e eu diria que o mais importante de todos, depois da presidenta Dilma, é São Paulo. Por isso é que nós estamos com vontade de ganhar a eleição de São Paulo", disse.

Houve tumulto durante a votação de Lula. Após a chegada do ex-presidente, o portão do diretório municipal do PT em São Bernardo foi fechado, impedindo por alguns minutos a entrada de outros eleitores.

Ele iria deixar o local por uma saída lateral, mas, cercado por militantes e fotógrafos, não conseguiu alcançar seu carro. A comitiva voltou para trás rumo ao prédio e, na confusão, uma porta de vidro foi quebrada.

Após o episódio, Lula ficou reunido por quase uma hora em uma sala fechada com Padilha, Emidio e Marinho na sala da presidência do diretório antes de ir embora.

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