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A despeito da barbárie na segurança pública estadual, com assassinatos e decapitação de presos e ataques a ônibus ordenados por condenados nas ruas de São Luís, o governo do Maranhão está preocupado em garantir os festejos do fim do ano de 2014. O estado planeja comprar 300 unidades de panetones para abastecer as despensas das residências oficiais da governadora Roseana Sarney (PMDB). A previsão é gastar R$ 4.425 com as caixas de panetone.

Roseana também deve dispor de 50 potes de foie gras de pato, uma iguaria da culinária francesa feita à base do fígado da ave. Cada unidade de 115 gramas deve custar R$ 28,13, ou cerca de R$ 1.400 todo o lote. O pregão para escolher a empresa que vai fornecer produtos para as residências oficiais e a Casa Civil do Maranhão está agendado para sexta-feira, 10,. Estima-se que o gasto será de cerca de R$ 504 mil.

Nessa licitação e em outra concorrência pública que também vai abastecer as residências oficiais, marcada para esta quinta-feira (9) o governo estima gastar cerca de R$ 1,1 milhão. Essa verba corresponde a 3.113 vezes a renda per capita média de quem mora no Maranhão, Estado brasileiro com o pior indicador. Segundo dados do Atlas do Desenvolvimento Humano de 2013 divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), os maranhenses têm renda de R$ 360,34, menos da metade da média nacional, que é de R$ 793,87. Esse valor é obtido pela soma dos salários da população dividido pelo número de habitantes.

Primeira qualidade

O edital contém uma lista 151 itens para a compra, cuja exigência é que devem ser de "primeira qualidade e de marca conhecida nacionalmente". Estão previstos gastos de R$ 930 com 30 potes de geleias de pimenta e outros 60 de geleias "francesas" nos sabores cassis, morango e pêssego. A licitação também listou comprar 30 quilos de castanha portuguesa, ao custo total de R$ 2,3 mil, outros 100 quilos de castanha de caju "natural torrada e selecionada", por R$ 5,2 mil, e ainda 50 quilos de castanha do Pará "sem casca", por R$ 2,9 mil.

Até mesmo em itens mais de uso cotidiano, as quantidades e gastos chamam atenção. O governo pretende comprar 1,4 tonelada de três variedades de feijão: mulata gorda, preto e sempre verde. Só com esses grãos, o custo estimado é de quase R$ 10 mil. No edital, consta uma defesa protocolar da compra. "A contratação de empresa especializada no fornecimento de gêneros alimentícios perecíveis para as Residências Oficiais do Governo do Estado tem por finalidade atender a demanda de alimentação da governadora, e seus familiares e da Casa Civil por um período de um ano", justifica o órgão responsável pela compra.

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