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O ministro da Defesa, Nelson Jobim, informou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que irá substituir o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, mas, por enquanto, não tem quem o substitua. Jobim, que participou da reunião de coordenação política nesta segunda-feira com Lula, disse ainda que, embora quisesse que o ex-presidente do Banco do Brasil Rossano Maranhão assumisse a estatal que administra os aeroportos do país, Maranhão lhe informou que não poderá fazê-lo, sem entrar em detalhes. Mas o ex-presidente do Banco do Brasil disse estar disposto a colaborar de outra forma, talvez no conselho de administração da empresa.

Quatro dias depois de comentar sua possível saída do governo dizendo que pepinos fazem parte da vida, o brigadeiro voltou a falar sobre o fato de sua demissão do cargo já ser dada como certa pelo Palácio do Planalto.

- O que eu posso fazer, meu filho? Tudo que entra, sai. Tudo que sobe, desce. É a lei da física - disse Pereira.

Por outro lado, o presidente da Infraero avisou que não vai tomar a iniciativa de pedir demissão e que ainda não foi comunicado sobre sua saída pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim. O brigadeiro disse ainda que não há constrangimento nem se sente traído:

- Temos que ter consciência do que é o serviço público. Não se deve sair chutando a mesa. O povo brasileiro não paga para fazermos isso. Se sairmos, sairemos tranqüilos.

O brigadeiro refutou a idéia de que, se a pista do aeroporto de Congonhas fosse maior, o acidente com o avião da TAM poderia ser evitado. O brigadeiro deu a declaração ao comentar reportagem da revista "Veja" que apontou uma falha humana na operação do manete (alavanca que controla a aceleração das turbinas) da aeronave. Pereira disse que a hipótese é viável, mas que é preciso aguardar o final das investigações.

- Uma coisa é certa: na velocidade que aquele avião estava, mais 500 metros de pista não iriam resolver o problema dele. Mas é claro que todo piloto gosta de duas coisas: pista e combustível - disse.

Para o brigadeiro, só 800 ou 900 metros a mais de pista poderiam ter evitado a tragédia, isso se o piloto tivesse detectado uma eventual falha humana a tempo.

Anac não muda, como chegou a ser cogitado

Já a diretoria da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) não será trocada, como chegou a ser cogitado na semana passada. Também na reunião de coordenação, no Palácio do Planalto, o governo concluiu que é necessário dar mais um tempo para que a agência passe a agir seguindo as orientações do Conselho de Aviação Civil (Conac). Em entrevista à Rádio do Moreno , o jurista Dalmo Dalari critica as agências reguladoras, dizendo que elas foram criadas para que não haja regulação.

Também nesta segunda-feira, o vice-presidente José Alencar defendeu o fim da "autonomia e da independência" das agências reguladoras do país e ainda incluiu o Banco Central como alvo desta revisão. Alencar afirmou que um dos pontos que precisam ser revistos é o mandato fixo para diretores de agências reguladoras.

- Não podemos ficar diminuídos. Somos eleitos e esse povo manda mais que a gente - disse Alencar.

Para o governo, a Anac tem de implementar as decisões do Conac. Se isso não acontecer, o Planalto, num segundo momento, vai avaliar o que fazer com a agência, que teria ficado "mais cooperativa" nos últimos dias. O presidente da Anac, Milton Zuanazzi, afirmara, em entrevista ao jornal "O Globo" de domingo, que renunciar ao cargo seria um ato de covardia .

Ainda na reunião de coordenação política, Jobim fez um relato sobre as ações que adotou desde que assumiu o cargo. O ministro contou da viagem que fez a São Paulo na sexta-feira e informou que ainda está em processo de montagem da equipe.

O Palácio do Planalto decidiu que outras duas medidas devem ser aceleradas: a construção de um terceiro terminal e de uma terceira pista em Guarulhos e a implementação de um trem ligando o aeroporto de Cumbica ao centro de São Paulo. Outra opção estudada é a ampliação do aeroporto de Viracopos, em Campinas, e a construção de um trem ligando-o a São Paulo.

Zuanazzi tinha dito que um novo aeroporto é obra para 2050. Nesta segunda-feira, na reunião da coordenação, o governo decidiu aceitar os estudos que a própria agência havia feito nessa direção. No entanto, segundo fontes do Planalto, o governo trabalha com um prazo menor que esse, embora não tenha definido quando.

De acordo com Jobim, que conversou com o prefeito de Guarulhos, Elói Pietá, para a construção da terceira pista e do terceiro terminal em Cumbica, seria necessária a remoção de cinco mil famílias, e não 30 mil, como havia sido divulgado anteriormente.

Antes de participar da reunião de coordenação, Jobim foi recebido às 9h separadamente por Lula. No encontro, que não estava previsto na agenda presidencial, Lula e Jobim discutiram medidas para desafogar o tráfego aéreo, entre elas a preparação do aeroporto de Jundiaí para receber grande parte dos vôos da aviação geral (táxi aéreo e pequenos aviões particulares) que hoje usam Congonhas para pouso e decolagem.

Conac discute redistribuição de vôos

Inicialmente prevista para o meio-dia, a reunião do Conac, que havia sido transferida para 17h, foi novamente adiada para as 18h. E durou menos de uma hora. O primeiro atraso foi provocado pela audiência de Jobim com Lula. Realizada a portas fechadas, a reunião começou pouco depois das 18h, com a presença do brigadeiro José Carlos Pereira, do comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, e de vários ministros.

Em coletiva após a reunião, Jobim disse que o prazo para a transferência dos vôos de Congonhas para Guarulhos é de 60 dias, mas que ele espera que as mudanças ocorram antes, até mesmo em 30 dias. O ministro anunciou que 151 dos 712 vôos diários que operam no aeroporto paulistano sejam transferidos para Guarulhos. Congonhas terá apenas vôos diretos, com duração máxima de duas horas e para 11 localidades. A transferência de vôos para Viracopos ficará para outro momento. Já a aviação geral, de jatos particulares, irá para Jundiaí.

No último dia 20, o Conac determinou à Anac a adoção de diversas medidas para tentar desafogar o tráfego aéreo no aeroporto de Congonhas. Entre as medidas, estão a revisão das malhas aéreas das empresas, para evitar que Congonhas continue sendo ponto de conexão entre vôos de várias regiões (hub). Também foi determinada a realização de diversos estudos por parte dos órgãos do setor aéreo para se preparar para o crescimento da demanda no médio e no longo prazo. Entre as medidas está também a construção, no formato de uma Parceria Público-Privada (PPP), de um trem expresso para transporte de passageiros entre os aeroportos.

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