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O ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, disse na tarde desta quinta-feira, no Palácio do Planalto, que as modificações que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva planeja anunciar depois do carnaval "não são uma revolução ministerial".

- É uma reforma ministerial que tem por objetivo estabilizar a coalizão e, sobretudo, dar cumprimento ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). É um ministério centrado nisso e para garantir o funcionamento da coalizão - afirmou Tarso.

Cotado para assumir o Ministério da Justiça no lugar de Márcio Thomaz Bastos, que já anunciou que deixará a pasta, Tarso deu sinais de que pode continuar onde está.

- Eu achava que minha agenda na coordenação política terminava na eleição da Mesa Diretora da Câmara. Na verdade, minha agenda política vai ser acompanhar o presidente até o fim do mês na formação do governo.

Questionado sobre quem assumiria seu lugar nas Relações Institucionais, Tarso respondeu:

- Eu não sei se vem alguém para meu lugar.

Tarso informou que na quinta-feira que vem o presidente Lula se reúne com o PSB e o PCdoB. O relacionamento desses dois partidos com o governo ficou estremecido depois que o PT derrotou Aldo Rebelo (PCdoB-SP) na disputa pela presidência da Câmara.

- A reunião com o PCdoB e o PSB é muito importante porque os dois têm porte para participar do governo e seguramente estarão.

Tarso desconversou sobre as pretensões petistas de emplacar a ex-prefeita paulistana Marta Suplicy em um ministério.

Conversas durante a semana podem ter articulado nomes

Apesar de o presidente Lula ter dito na terça-feira que não fará a reforma ministerial aos poucos, e sim, que pretende anunciar todos os ministros ao mesmo tempo, alguns nomes começaram a surgir em conversas do governo com partidos nesta semana.

O presidente do PDT, Carlos Lupi, afirmou que Lula estaria fazendo o levamento dos principais cargos federais para chamar os partidos para nova conversa na semana seguinte ao carnaval. O partido disse a Lula que quer ser contemplado com um ministério que tenha uma pasta simbólica, como Trabalho, Previdência, Minas e Energia, Transporte ou Educação.

O presidente teria feito promessas também ao PP, que continuaria com o Ministério das Cidades.

- O presidente disse que o ministério é nosso e continuará a ser - disse o líder do partido na Câmara, Mário Negromonte (BA), após reunião com Lula nesta terça.

De acordo com ele, Lula elogiou a atuação do partido e afirmou que voltará a discutir outra pretensões do PP depois do carnaval.

- O ministério vocês já têm e o ministro é de vocês - disse Lula, segundo Negromonte.

Também o senador Alfredo Nascimento (PR-AM) deixou o Palácio do Planalto na tarde desta terça-feira, depois de se reunir particularmente com Lula, dando a entender que assumirá o Ministério dos Transportes, pasta que deixou em meados do ano passado para se candidatar ao Senado. O PR quer manter o Ministério dos Transportes sob seu comando, apesar de o PMDB e o próprio PT desejarem a pasta.

Nascimento não confirmou, efetivamente, o convite do presidente, mas, questionado sobre o assunto, afirmou:

- Se eu quisesse ser ministro não teria deixado a pasta para me candidatar ao Senado. Eu nunca tive experiência no Parlamento, em 30 anos de vida pública. Eu queria aprender sobre o Legislativo. Mas na política a gente não faz só o que quer. E acho que não vou ter tempo de aprender a ser parlamentar - declarou, sorrindo.

Por sua vez, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, passou por Brasília nesta quarta-feira em encontros com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Renan Calheiros, para tratar de mudança na legislação de segurança pública, mas os encontros serviram mais para articular a indicação do médico sanitarista José Gomes Temporão para o Ministério da Saúde. Sérgio Cabral saiu do encontro com Renan fazendo uma defesa enfática da indicação e disse que Lula continua querendo Temporão.

Cabral negou que haja veto da bancada do Rio ao nome do médico e confirmou que conversou com Lula sobre a indicação.

- Não há veto nenhum. Esse movimento corporativo não é verdadeiro. Muitos deputados estão me ligando e dando apoio à indicação. Essa confusão de botar a Câmara contra o Senado é mentira, é um jogo inaceitável. Estamos falando de saúde pública, de hospitais. O Brasil precisa ter um técnico competente como ministro da Saúde, que não sofra influências de pressões parlamentares e politicas. Conversei com Lula sim sobre a indicação e ele me disse que continua querendo o Temporão na Saúde.

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